O caso de um voluntário americano acusado de tráfico de pessoas, tem vindo a causar alguma agitação da parte das organizações de ajuda humanitária que atuam na fronteira dos Estados Unidos com o México. Se, por um lado, estas organizações defendem que estão a tentar evitar a morte de imigrantes ilegais no deserto, há um outro lado que alega que se tratam de tentativas para a entrada ilegal de imigrantes em território americano. 

Falamos de Scott Warren, um americano de 36 anos, que faz parte da organização humanitária No More Deaths/No Más Muertes. De acordo com a BBC Brasil, esta estrutura, situada a sul do Arizona, tem como objetivo acabar com a morte de imigrantes sem documentação que tentam atravessar a fronteira do México com os Estados Unidos. No entanto, na perspetiva das autoridades e da justiça americana, não passa de uma tentativa de evitar que estes imigrantes sejam capturados

Warren começou, esta semana, a ser julgado no tribunal da cidade de Tucson, no Arizona, por estar acusado de “transportar e dar abrigo a imigrantes”. Caso seja dado com culpado, a pena pode ir até aos 20 anos de prisão.  

O caso remonta a janeiro do ano passado, depois de dois imigrantes terem atravessado ilegalmente a fronteira e, já em território americano, terem recebido água, comida, cuidados médicos, roupas limpas e um local para dormir. Três dias depois, quando se preparam para ir embora e seguir o seu caminho, foram detidos por agentes da Border Patrol, bem como Scott Warren. Foi, entretanto, libertado sob fiança, mas um mês depois foi indiciado.

Scott pertence ao grupo de voluntários que faz quilómetros no Deserto Sonora, situado entre o México com os Estados Unidos, para entregar água, alimentos e material básico de primeiros socorros aos imigrantes que tentam cruzar a fronteira ilegalmente.

As condições atmosféricas neste deserto são de extremos. Durante o verão as temperaturas passam os 46 graus Celsius e no inverno atingem números negativos. Tratando-se, assim, de uma das regiões mais mortíferas da fronteira. A maioria das vítimas mortais são provocadas, além das temperaturas, pela desidratação.

Fazendo contas aos últimos 20 anos, estima-se que tenham sido encontrados mais de mais de 7 mil mortos nesta fronteira. Um número que pode ser bastante mais elevado, uma vez que muitos dos corpos nunca chegam a ser localizados.

As acusações contra Warren provocaram várias reações nível mundial e uma delas veio da Amnistia Internacional. Esta organização enviou uma carta aberta a autoridades americanas, como parte de uma campanha internacional, na qual pedia ao Departamento de Justiça que retire as acusações contra Warren e pare de "criminalizar ajuda humanitária".