A China e a Índia acusaram-se hoje mutuamente pelo bloqueio no processo de redução da pressão militar na fronteira que separa as duas potências nucleares nos Himalaias, após os confrontos ocorridos em 2020.

O lado indiano fez sugestões construtivas para resolver [a situação] nas áreas restantes, mas o lado chinês não quis e não conseguiu apresentar propostas práticas”, apontou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Índia, em comunicado.

A nota chega um dia após o décimo terceiro encontro entre os comandantes dos dois exércitos.

Um porta-voz do exército chinês observou, por seu lado, que o “lado chinês demonstrou plenamente a sua sinceridade”, ao reduzir a tensão na fronteira, mas que o lado indiano “insistiu” em “pedidos irrealistas e inescrupulosos”.

O porta-voz chinês advertiu que a “determinação” de Pequim em “salvaguardar a sua soberania nacional” permanece “inalterável”.

Esperamos que a Índia não entenda mal a situação”, acrescentou.

Segundo Nova Deli, o encontro “não resolveu a situação nas áreas remanescentes”, situadas na parte oeste da chamada Linha Real de Controlo, que separa a China e a Índia, em áreas onde ambos os países possuem reivindicações territoriais.

A Índia culpou as autoridades chinesas pela escalada da tensão, devido às suas “tentativas unilaterais de mudar o equilíbrio, violando acordos bilaterais”.

Nova Deli insistiu na necessidade de a China “tomar medidas adequadas para restaurar a paz e a tranquilidade no setor oeste da Linha Real de Controlo”.

Apesar do aparente fracasso das reuniões, a Índia observou que ambos os lados concordaram em “manter a comunicação e a estabilidade no terreno”, para evitar novos confrontos, como os que ocorreram, em junho do ano passado, no Vale Galwan, a oeste do Lago Pangong.

As lutas com paus e pedras resultaram em 20 mortos e 76 feridos, entre os soldados indianos. Pequim reconheceu quatro mortos do seu lado.

Os dois países acusaram-se mutuamente de provocar o confronto corpo a corpo e reagiram com um reforço da sua presença militar na região. Desde então, estão imersos num processo de retirada de tropas na região.

“Esperamos que o lado chinês coloque as relações bilaterais em perspetiva e trabalhe para resolver os problemas em breve, e cumpra os acordos e protocolos bilaterais”, concluiu o Ministério dos Negócios Estrangeiros indiano.

As duas potências nucleares mantêm uma disputa histórica sobre várias regiões dos Himalaias. Pequim reivindica o território de Arunachal Pradesh, controlado por Nova Delhi, que por sua vez reivindica Aksai Chin, administrado pelo país vizinho.

Agência Lusa / BC