Um “mestre na investigação criminal”. É assim que os colegas definem o polícia que não se coíbe em admitir que chorou quando descobriu o corpo de Gabriel Cruz, o menino de oito anos que esteve 12 dias desaparecido, em Espanha. José Miguel Hidalgo foi também quem desvendou o mistério de Diana Quer e conseguiu que o assassino levasse as autoridades até à jovem de 18 anos que esteve quase 500 dias desaparecida.

“Chorei, claro que chorei, como todos, era o pior final”, admitiu o capitão da Unidade Especial da polícia espanhola, ao jornal espanhol ABC, depois do corpo de Gabriel ter sido encontrado na mala do carro da madrasta, Ana Júlia Quezada. Dois dias depois, este polícia espanhol sentou-se mais uma vez “frente ao mal”.

A madrasta de Gabriel apresentou as mentiras e os jogos mentais a que José Hidalgo está habituado, mas segundo conta o jornal, o “lendário” capitão conseguiu mais uma vez, com a sua tranquilidade, fazer com que mais um assassino se esquecesse com quem falava e admitisse o crime.

A confissão de Ana Júlia é a última do polícia que é apelidado pelos colegas como um ”mestre” na investigação criminal, que recusa os louros e atribui as vitórias ao trabalho de equipa.

Antes de Gabriel, no Natal, quando celebrava o dia com a família, interrompeu as festas para viajar para a Galiza de urgência. Uma jovem tinha sido alvo de uma tentativa de sequestro e sobreviveu. Na luta com o agressor conseguiu gravar-lhe a voz com o telemóvel.

O momento chave levou à solução de um outro caso que chocou Espanha. Diana Quer, uma jovem de 18 anos, desapareceu sem deixar rasto. As autoridades chegaram a encerrar o caso, mas o capitão José Miguel Hidalgo foi mais uma vez responsável pelo desatar do nó.

Ao ouvir a gravação do telemóvel, o polícia reconheceu de imediato a voz de “el Chicle”, o principal suspeito do rapto que chegou a ser interrogado pelo polícia, um ano antes, e que foi ilibado graças a um álibi que se veio a revelar falso. “É ele”, assegurou o polícia aos colegas

José Enrique Abuín, “el Chicle”, acabou por levar as autoridades até ao corpo, mas o caminho percorrido teve mais uma vez a interferência do polícia habituado a confrontar assassinos.

Segundo contou o advogado do homicida, “el Chicle” pediu ao capitão que intercedesse pela sua filha de 14 anos. O supeito não terá cumprido a contrapartida inicialmente prometida, mas o capitão cumpriu o que prometeu. Foi então que José Enrique Abuín, novamente detido, pediu para chamar o polícia líder da Unidade Especial e disse:

Tu foste um senhor e cumpriste. Eu sou um cabrão, mas vou-te levar onde está o corpo da rapariga”, disse.

Horas depois, apareceu o corpo de Diana no fundo de um poço. Essa foi mais uma noite de lágrimas.

Ele é o que se espera de um guarda civil. Muito caloroso e próximo das vítimas e das famílias, e implacável e incansável para parar o mal”, descreve um outro colega.

O polícia chefia a Unidade onde só chegam os casos mais complicados de homicídios e sequestros e onde, aos poucos, foi deixando a sua marca. Habituado a cruzar-se com a morte, olha-a nos olhos, descrevem.  O jornal ABC afirma mesmo que a história criminal de Espanha se confunde com a história do polícia que é descrito como alguém que “consegue manter a calma, quando todos estão de cabeça perdida”.

Quando não há saída, ele lembra-se sempre de alguma coisa, diz um dos seus professores.

José Miguel Hidalgo tem 50 anos e combate os piores males há 30. Quem com ele partilha os horrores diários não hesita em afirmar que mesmo depois de tantos anos, nunca fica indiferente à dor causada pelos assassinos.