O coordenador geral da coligação de esquerda separatista basca Euskal Herria Bildu (EH Bildu), Arnaldo Otegi, defendeu hoje uma frente comum com forças republicanas e soberanistas da Galiza e Catalunha, no decurso da Assembleia Nacional da coligação.

Na sua intervenção na assembleia que decorre em Pamplona, norte de Espanha, o também antigo dirigente da ETA disse que a convocação de eleições gerais “não é nenhum sinal de força”, mas sim da “grave crise política que se vive no Estado espanhol”, que disse ser “crise de Estado e crise de regime”.

Otegi apelou a que “não se perca de vista” que, ao longo da sua história, as crises mais graves em Espanha foram desencadeadas pelo “problema plurinacional” e, nesse sentido, afirmou que a “ofensiva catalã” está presente “na grave crise de regime” que vive o país.

Nas eleições gerais, disse, “vai jogar-se qual o nível de intensidade da resposta do Estado” a esta crise e se a mesma se concretiza “olhando para o passado ou olhando para o futuro”.

Para Otegi, na resposta que visa o passado inscreve-se a “operação posta em marcha por Felipe VI”, o qual, desde o referendo catalão, procura “disciplinar um bloqueio reacionário no Estado espanhol”.

O programa político desse bloqueio é “fazer a transição que não puderam fazer há 40 anos” para “devolver-nos ao branco e preto, ao Concílio de Trento”, sublinhou Otegi, acrescentando: “Se as direitas crescem isto é o que nos espera”.

Por outro lado, destacou, há “a bicicleta estática, ficarmos como estamos”, que supõe um Governo do PSOE e Cidadãos, forças que aplicariam “uma contrarreforma baixa em calorias”, mas que “não resolve nenhum problema”.

Para Otegi “só há uma alternativa possível”, que vem “das nações sem Estado do Estado espanhol, vem da Galiza, da Catalunha e de Euskal Herria (País Basco).

Trata-se, explicou, de “uma alternativa republicana, que defende o direito à livre determinação”, a luta contra as “políticas ‘austericidas’” e que “todos os presos políticos têm que voltar à sua terra em liberdade”, princípios que segundo Otegi deviam unir todas as forças separatistas do EH Bildu.

Otegi reconheceu que “há quem diga que é quase impossível” desenvolver esta ideia e que “é absolutamente difícil, muito complicada, mas é o que exige a responsabilidade histórica”.

O coordenador geral da EH Bildu disse ainda que espera “boas notícias” nesta direção, “porque é muito aquilo que está em jogo”.

“Não nascemos para resistir, nascemos para ganhar”, disse, perante uma plateia onde estavam os coordenadores gerais das forças que integram o EH Bildu.