A organização não governamental (ONG) israelita B`Tselem diz que os números oficiais do exército sobre a operação militar na Faixa de Gaza, que decorreu nos meses de Dezembro e Janeiro, fica aquém do que constatou no terreno. As discrepâncias são mais preocupantes, segundo o grupo humanitário, no que toca às vítimas civis, que diz terem sido metade do total de mortos.

«De acordo com a investigação da B`Tselem, as forças de segurança israelitas mataram 1387 palestinianos durante as três semanas de operação», lê-se no site da organização, onde é acrescentado: «Destes, 773 não tomaram parte nas hostilidades, entre eles 320 menores e 109 mulheres com mais de 18 anos».

A organização salienta ainda que «dos que morreram, 330 tomaram parte nas hostilidades e 248 era agentes da polícia palestinianos».

Os dados oficiais do exército de Israel são diferentes. Em relação a este último dado, os militares não fazem distinção combatentes e polícia, e apontam que do total de 1166 mortos, 709 eram militantes. Quanto a vítimas civis, oficialmente, de acordo com Israel, foram mortos 295 civis, entre eles 89 crianças e 18 mulheres adultas.

A disparidade entre os números levou a ONG a pedir que seja feita uma investigação independente. «Os números da B`Tselem, que resultam de meses de investigação meticulosa e cruzamento de dados com numerosas fontes, contradizem acentuadamente aqueles tornados públicos pelos militares israelitas».

«Por trás das estatísticas secas encontram-se histórias individuais. Famílias inteiras foram mortas, pais viram os filhos serem mortos à frente dos seus olhos, familiares viram os seus entes queridos sangrar até à morte e bairros inteiros foram obliterados», aponta o grupo de defesa dos direitos humanos, salientado que «as baixas civis extremamente pesadas e os danos massivos de propriedade civil requerem uma introspecção séria por parte da sociedade israelita».

Apesar de reconhecer a «complexidade» das operações em áreas densamente povoadas, que o números de mortos não significa automaticamente que tenham sido violadas as leia da guerra e que o combates se realizam muitas vezes contra «grupos armados que não hesitam em usar meios ilegais e se refugiam entre a população civil», a B`Tselem frisa que isso não pode «legitimar um dano tão extensivo sobre civis por um estado comprometido com o respeito da lei».

De acordo com a organização, estes dados foram enviados para o exército israelita, que não comentou para já os resultados do estudo.