Na terça-feira, o novo ministro do Interior francês, Gérald Darmanin, nomeado após remodelação governamental, assumiu a pasta durante uma reunião com o antecessor, Christophe Castaner. Durante o encontro, várias mulheres, incluindo ativistas do grupo feminista Femen, manifestaram-se nas imediações do Ministério do Interior, na praça Beauvau, gritando "Darmanin violador" e pedindo a saída do novo ministro do governo. Porque Gérald Darmanin, de 37 anos, viu ser reaberta uma investigação por violação no passado mês de junho, ainda que inicialmente o processo tivesse sido arquivado.

A alegada vítima é Sophie Patterson-Spatz, que em 2009 terá pedido um favor a Darmanin, que fazia então parte do comité de serviços jurídicos do partido de direita UMP - que depois passou a ser conhecido por Les Républicains (Os Republicanos). 

Patterson-Spatz, que trabalhava como gestora de projeto, pediu ajuda a Darmanin por causa de uma pena suspensa por chantagem contra o ex-companheiro, que queria ver anulada. Mas alega que foi pressionada por Darmanin para fazer sexo em troca deste auxílio legal.

A investigação começou em 2017, quando Patterson-Spatz decidiu levar o caso à justiça, mas foi arquivada porque os procuradores decidiram que não era possível estabelecer a "ausência de consenso". 

Depois de vários recursos, em junho de 2020 um tribunal de Paris ordenou que o caso fosse reaberto. "Temos dificuldade em perceber porque é que hoje, em 2020, levou tanto tempo para que fosse aberto um inquérito judicial", disse a advogada da queixosa, Elodie Tuaillon-Hibon, à Franceinfo. 

A nomeação é um choque, não vou escondê-lo", frisou a advogada. "Perguntamo-nos o que acontecerá quando o chefe da polícia de França for interrogado por um magistrado enquanto estiver em funções", disse Tuaillon-Hibon. Tal como em Portugal, em França as polícias estão sob a alçada do Ministério do Interior.

Segundo a imprensa francesa, o atual ministro do Interior francês também foi acusado de abuso sexual durante o período em que foi autarca na cidade de Tourcoing, no norte de França, por uma mulher que diz ter sido forçada a ter relações sexuais com Darmanin em troca de uma habitação da autarquia. 

Já o novo primeiro-ministro francês, Jean Castex, veio dizer que "assume totalmente" a nomeação de Darmanin apesar da investigação. "Por razões políticas, pessoais, tudo o que esteja relacionado com violência conjugal, com violações, toca-me particularmente", referiu o governante em entrevista à BFMTV, acrescentando: "Assumo totalmente esta nomeação. Gérard Darmanin tem o direito à presunção de inocência, como toda a gente".

Castex sublinhou ainda que não teria nomeado Darmanin se tivesse "a menor dúvida" ou interrogação. Já fonte da presidência francesa referiu apenas que o presidente Macron não considera que esta investigação constitua "obstáculo" à nomeação de Darmanin.

Bárbara Cruz