Foram libertados esta quarta-feira os portugueses e lusodescendentes proprietários de supermercados detidos na semana passada na Venezuela, com obrigação de apresentações regulares às autoridades, confirmou a TVI.

São 12 e tinham sido detidos por suspeita de comercialização ilícita de alimentos e por terem aplicado aumentos nos preços dos produtos de forma especulativa.

No total foram detidas 32 pessoas, a maioria cidadãos venezuelanos.

A TVI apurou que os portugueses foram libertados às 03:00 locais (08:00 em Lisboa) e já regressaram ao trabalho. Por ainda decorrerem investigações, vão contudo ficar obrigados a apresentações periódicas às autoridades. 

Fonte próxima do processo adiantou à TVI que a libertação é o resultado da intensificação das conversações diplomáticas entre Portugal e Venezuela. 

O Governo venezuelano tinha garantido no fim-de-semana que a lei era para ser cumprida, independentemente da nacionalidade dos visados, o que deu origem a uma crise diplomática.

Já esta terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros tinha afirmado que possuia informações de que estaria "a haver desenvolvimentos" relativamente à situação dos portugueses e lusodescendentes gerentes de supermercados detidos e aguardava uma confirmação.

Estou a confirmar esses desenvolvimentos e, logo que tenha a confirmação, essa informação será divulgada publicamente", declarou Augusto Santos Silva aos jornalistas, em Nova Iorque, na terça-feira, no final de uma reunião informal da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), à margem da 73.ª sessão da Assembleia-Geral da ONU.

Santos Silva referiu que, no encontro de segunda-feira com o homólogo venezuelano, em Nova Iorque, teve uma conversa dura, na qual indicou uma "linha vermelha" que poderia desencadear consequências diplomáticas e em que pediu "o acesso imediato das autoridades portuguesas aos cidadãos portugueses que estão detidos".