Os golpistas guineenses comprometeram-se a acelerar a libertação dos opositores detidos sob a liderança do Presidente deposto, Alpha Condé, ansiosamente aguardada pelos seus apoiantes, 48 horas após a sua tomada do poder.

Os militares mencionaram novamente nas suas últimas declarações, lidas na televisão nacional ou transmitidas em redes sociais, a próxima abertura de uma “consulta” nacional para definir as modalidades de transição política neste país pobre da África ocidental e um grande produtor de minerais, incluindo a bauxite.

Caberá ao futuro Governo de “unidade nacional” liderar esta transição, disse hoje, através de um tweet, o chefe do “Comité Nacional de Agrupamento e Desenvolvimento”, o tenente-coronel Mamady Doumbouya.

Doumbouya instruiu o Ministério da Justiça para contactar “o Ministério Público, a administração prisional e os advogados, a fim de realizarem uma análise aprofundada do caso dos presos políticos, para a sua libertação o mais rapidamente possível”, de acordo com uma declaração lida no noticiário televisivo de segunda-feira à noite.

A Frente Nacional de Defesa da Constituição (FNDC), uma coligação de movimentos políticos e da sociedade civil que liderou o protesto contra o controverso terceiro mandato do Presidente Alpha Condé, tinha apelado à população de Conacri para que fosse dar as boas-vindas aos seus membros, que deveriam ser libertados até segunda-feira ao meio-dia.

Apesar de uma grande multidão na prisão central, as libertações ainda não tiveram lugar.

Os militares impuseram um recolher obrigatório e fecharam as fronteiras, antes de anunciarem na segunda-feira que seriam reabertas.

Os golpistas capturaram o Presidente Alpha Condé e dissolveram as instituições de Estado do país no passado domingo. Foi instituído um recolher obrigatório noturno, e a Constituição do país e a Assembleia Nacional foram ambas dissolvidas.

O golpe de Estado foi já condenado pela Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO), que exigiu também a "imediata" e "incondicional" libertação de Alpha Condé, e o mesmo fez a União Africana e também a França.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, também já condenou "qualquer tomada de poder pela força das armas".

A Guiné-Conacri, país da África Ocidental, que faz fronteira com a Guiné-Bissau, é um dos mais pobres do mundo e enfrenta, nos últimos meses, uma crise política e económica, agravada pela pandemia de covid-19.

/ MJC