Subiu para 91 o número de mortos pelas forças de segurança birmanesas na repressão de protestos contra a junta militar, de acordo com o órgão de comunicação social local Myanmar Now.

Segundo a agência Efe, que cita esta fonte, este é já o dia mais sangrento desde o golpe militar de 1 de fevereiro.

O anterior balanço dos confrontos de hoje dava conta de pelo menos 20 mortes.

As mortes ocorreram durante manifestações realizadas em cerca de 40 cidades em regiões e estados como Rangum, Mandalay, Sagaing, Bago, Magwe, Tanintharyi e Kachin, com o número total de mortos a ultrapassar os 400 nos últimos dois meses, ainda que a junta militar confirme apenas 164 mortes.

Ativistas pró-democracia tinham apelado a novas manifestações contra o golpe de Estado no "Dia das Forças Armadas", hoje celebrado com uma exibição do arsenal militar, num desfile em Naypyidaw perante o chefe do exército e chefe da junta no poder, general Min Aung Hlaing.

A Efe relatou que a polícia e os soldados, "mais uma vez reprimiram brutalmente os protestos, disparando contra os manifestantes e também contra outros civis, nas ruas e dentro de suas casas", mas que a maioria dos manifestantes é pacífica e só alguns enfrentam os militares atirando ‘coktails’ molotov ou foguetes pirotécnicos artesanais.

Segundo uma jornalista local, Mai Kaung Saing, citada pela agência de notícias France-Presse, antes de amanhecer registaram-se repressões a manifestantes em Rangum, capital económica do país, enquanto num comício de estudantes em Lashio, no estado nordeste de Shan, a polícia e soldados abriram fogo sobre a multidão.

As pessoas não tinham começado a protestar, não tinham sido proferidos 'slogans'. O exército e a polícia chegaram e dispararam com munições reais sem qualquer aviso", contou a jornalista.

Ao início da manhã, milhares de soldados, tanques, mísseis e helicópteros desfilaram perante generais e convidados, incluindo delegações russas e chinesas, numa cerimónia anual de celebração do início da resistência do exército birmanês à ocupação japonesa durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1 de fevereiro, os generais birmaneses tomaram o poder alegando fraude eleitoral nas legislativas do passado mês de novembro e contestando a vitória da líder da Liga Nacional para a Democracia (LND), Aung San Suu Kyi.

Desde o golpe de Estado militar repetem-se nas ruas birmanesas as manifestações de protesto, ações que têm sido marcadas pela violência policial e do exército.

Chegou novamente o momento de combater a opressão militar. Em 27 de março, juntemo-nos para a revolução do povo, indo para as ruas", declarou um dos líderes dos protestos, Ei Thinzar Maung, na rede social Facebook.

Na repressão policial e militar em Myanmar cerca de três mil pessoas já foram detidas desde o início de fevereiro, de acordo com organizações locais.

A convocação para sábado de novos protestos pró-democracia surge como um claro desafio ao poder militar, que comemora nesse mesmo dia o tradicional “Dia das Forças Armadas”.

O dia comemora a data de 27 de março de 1945, quando o general Aung San - que seria mais tarde considerado como o líder da luta pela independência do país (de que foi chefe de governo) e o fundador da Birmânia moderna - liderou uma insurreição contra as forças de ocupação japonesas.

O general Aung San é o pai da chefe do governo civil birmanês deposta e atualmente detida, Aung San Suu Kyi.

Na véspera desta efeméride, a sede do partido LND, em Rangum (capital económica), foi alvo de um ataque com um cocktail ‘molotov’, que provocou pequenos danos.

Desde o golpe de Estado militar, muitos deputados do LND vivem na clandestinidade e formaram um parlamento “sombra”, o Comité Representativo Pyidaungse Hluttaw (CRPH).

UE e Grã-Bretanha condenam "assassínios" cometidos pelo exército

A União Europeia e a Grã-Bretanha condenaram hoje os "assassínios" cometidos pelo exército por ocasião do Dia das Forças Armadas.

Neste 76.º dia das forças armadas será lembrado como um dia de terror e desonra. Os assassínios de civis desarmados, incluindo crianças, são atos indefensáveis", anunciou a embaixada da União Europeia em Rangum no Twitter e no Facebook, citada pela Agência France-Presse (AFP).

Já embaixador britânico estimou, em comunicado, que “as execuções extrajudiciais dizem muito sobre as prioridades da junta militar”.

/ CM - notícia atualizada às 12:45