O Exército de Myanmar (antiga Birmânia) emitiu mandados de captura para seis celebridades, incluindo atores e realizadores, acusados de incitar protestos contra o golpe de Estado, no mesmo dia em que foram detidos mais 11 funcionários públicos.

As autoridades militares anunciaram que foram emitidos mandados de captura para vários realizadores e atores birmaneses por alegadamente apoiarem os protestos contra a junta militar.

Entre eles estão o ator e realizador Lu Min, os atores Zin Wine e Pyay Ti Oo, o realizador Na Gyi e o cantor Anegga, informou o exército na quarta-feira, através da agência militar True News.

O realizador Na Gyi escreveu hoje na sua página do Facebook: "Não pararemos até que o ditador caia".

Segundo a agência de notícias espanhola Efe, que cita fontes do Ministério dos Negócios Estrangeiros do país, foram ainda detidos 11 funcionários públicos, sob a acusação de se terem associado ao movimento de desobediência civil para protestar contra o golpe militar de 01 de fevereiro que depôs o Governo de Aung San Suu Kyi.

As detenções deram-se às 4:30 da manhã, hora local (22:00 de quarta-feira em Lisboa).

Os funcionários estavam escondidos em casas fornecidas por uma associação filantrópica na capital, Naypyidaw.

Uma das iniciativas do movimento de desobediência civil contra o golpe de Estado são as greves iniciadas pelos trabalhadores do setor da saúde, que muitos funcionários públicos estão a apoiar, o que está a paralisar a administração.

De acordo com dados compilados pela Associação de Assistência aos Prisioneiros Políticos (AAPP), as detenções por motivos políticos desde o golpe militar totalizam já 495 pessoas.

Myanmar deverá continuar a viver esta quinta-feira mais um dia de protestos, depois de na quarta-feira centenas de milhares de pessoas terem saído à rua em Rangum e Mandalay, exigindo a libertação de Suu Kyi e do Presidente Wun Myint. 

O golpe militar, no dia 1 de fevereiro, atingiu a frágil democracia da Birmânia, depois da vitória do partido de Suu Kyi nas eleições de novembro de 2020.

Os militares tomaram o poder alegando irregularidades durante o processo eleitoral do ano passado, apesar de as autoridades eleitorais terem negado a existência de fraudes.

A Junta Militar disse que vai manter-se no poder durante um ano, antes da realização de um novo ato eleitoral. 

Na terça-feira, foi apresentada em tribunal uma nova queixa contra Suu Kyi para prolongar o regime de prisão domiciliária, em Rangum. 

A líder da Liga Nacional para a Democracia - fortemente criticada pela falta de intervenção no genocídio do povo rohingya - já enfrenta processos sobre posse de aparelhos de transmissão considerados ilegais, enfrentando uma pena de três anos de prisão. 

Na terça-feira, os militares ordenaram o bloqueio da Internet no país pelo terceiro dia consecutivo e está a ser preparada legislação quer permite aos militares vigiarem as atividades dos utilizadores de computadores e telemóveis.  

/ MJC