Manifestantes pró-democracia tomaram esta segunda-feira novamente as ruas em Myanmar, apesar da intensificação da repressão pela junta militar, que no dia anterior disparou contra os manifestantes, enviou tropas para várias cidades e fechou a Internet.

Várias centenas de engenheiros e estudantes estavam reunidos no norte de Rangum, a capital económica. Não muito longe, perto do quartel-general do banco central, manifestaram-se no meio de veículos do exército, levando cartazes dizendo: "Apoiamos os apelos à desobediência civil" e "juntem-se ao movimento".

Outros faziam a saudação com três dedos, como gesto de resistência.

As forças de segurança, apoiadas por canhões de água e veículos blindados, eram visíveis em algumas partes de Rangum, mas sem uma presença militar maciça nesta fase, de acordo com a agência noticiosa France-Presse (AFP).

No dia anterior, soldados tinham sido destacados para várias cidades e a Internet ficou praticamente cortada durante grande parte da noite, uma escalada da repressão fortemente condenada pela ONU e por várias embaixadas ocidentais.

As ligações foram restabelecidas hoje de manhã.

Os líderes militares de Myanmar prolongaram a detenção da líder deposta Aung San Suu Kyi, cuja prisão preventiva expirou na segunda-feira e cuja liberdade é uma exigência fundamental das multidões que continuam a protestar contra o golpe militar.

Suu Kyi ficará detida até 17 de fevereiro, segundo a advogada que a representa, Khin Maung Zaw.

A 1 de fevereiro, o exército prendeu a chefe do Governo civil da antiga Birmânia, Aung San Suu Kyi, o Presidente Win Myint e vários ministros e dirigentes do partido governamental, proclamando o estado de emergência e colocando no poder um grupo de generais.

Desde então, têm ocorrido sucessivos protestos em várias cidades de Myanmar e a tensão nas ruas tem vindo a aumentar. As forças policiais têm recorrido frequentemente a canhões de água e outros métodos para dispersar os manifestantes.

/ MJC