A China disse esta quarta-feira que o apelo dos Estados Unidos à comunidade internacional para que apoie uma participação “robusta e significativa” de Taiwan nos trabalhos da ONU representa “a maior ameaça à paz e à estabilidade” na região.

A China opõe-se firmemente aos últimos comentários feitos sobre esta questão pelo secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e apresentou uma reclamação formal a este respeito”, apontou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros Zhao Lijian, em conferência de imprensa.

Blinken encorajou todos os estados-membros das Nações Unidas a unirem-se a Washington “para apoiar uma coordenação forte e significativa de Taiwan em todo o sistema da ONU e na comunidade internacional”.

O secretário de Estado argumentou que Taiwan é uma “história de sucesso democrático” e um “parceiro valioso” e “amigo de confiança” dos Estados Unidos.

As declarações surgem logo após o 50.º aniversário da incorporação da República Popular da China nas Nações Unidas, o que implicou a saída de Taiwan.

China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas.

O nome oficial de Taiwan é República da China.

Pequim considera Taiwan parte do seu território e ameaça a reunificação através da força, caso a ilha declare formalmente a independência.

O apoio dos Estados Unidos aos separatistas de Taiwan na procura por ‘espaço internacional’ no seu caminho para a ‘independência’ é a maior ameaça à paz e à estabilidade no Estreito de Taiwan, apontou a Embaixada da China nos Estados Unidos, em comunicado.

A representação diplomática acrescentou que os “Estados Unidos não podem desafiar e distorcer o princípio de ‘uma só China’”, segundo o qual Washington reconhece Pequim como o único governo legítimo de toda a China, com o entendimento de que Taiwan teria um futuro pacífico.

Os Estados Unidos mantêm, no entanto, laços não oficiais com Taiwan e são o seu principal fornecedor de armamento.

A líder de Taiwan, Tsai Ing-wen, agradeceu a Blinken pelas suas palavras na rede social Twitter, na terça-feira, e garantiu que a ilha continuará a “trabalhar com os seus parceiros para superar as dificuldades enfrentadas pela comunidade internacional”.

A tensão entre os Estados Unidos e a China em torno da ilha aumentou nas últimas semanas como resultado das últimas incursões aéreas chinesas perto de Taiwan e relatos de que Washington destacou um pequeno contingente de militares em Taiwan para treinar o Exército local.

/ JGR