O líder dos sociais-democratas do SPD, Olaf Scholz, declarou vitória nas eleições parlamentares alemãs, dizendo que tem um mandato claro para formar governo e que os conservadores da CDU/CSU não farão parte da coligação no poder. 

O Partido Social-Democrata (SPD) venceu as eleições deste domingo, que marcaram o fim da era de Angela Merkel, com 25,7% dos votos, de acordo com uma contagem oficial provisória anunciada já esta segunda-feira pela Comissão Eleitoral Federal.

A aliança conservadora CDU/CSU, liderada por Armin Laschet, teve 24,1% dos votos, o pior resultado da sua história.

Apesar de os dois partidos terem governado juntos durante vários anos, Scholz já veio dizer que é tempo de formar uma nova coligação com os Verdes e os liberais, deixando os democratas cristãos na oposição: os ecologistas conseguiram quase 15% dos votos e fizeram história com Annalena Baerbock na dianteira, com os liberais do FDP a recolherem 11,5% da votação, num ato eleitoral em que pesaram as escolhas da geração com menos de 30 anos, preocupada com as questões do aquecimento global e liberdade da iniciativa privada. 

Merkel, por sua vez, terá de permanecer à frente do governo até que seja formada uma nova coligação e o processo adivinha-se longo, podendo prolongar-se até ao Natal, apesar de Scholz estar confiante num processo menos demorado. 

Vamos ser rápidos. Vamos conseguir um Governo antes do Natal", disse Scholz, numa conferência de imprensa que decorreu na sede nacional social democrata, em Berlim. 

Questionado sobre os democratas cristãos, Scholz disse que "os alemães demonstraram nas urnas que querem a CDU na oposição".

Perante os dados provisórios, a chave do próximo governo alemão está na mão dos verdes e dos liberais: a fragmentação do voto permitirá que sejam estes partidos minoritários a escolher entre Scholz ou Laschet para chanceler.

Robert Habeck, líder dos Verdes com Baerbock, já admitiu que o partido prefere uma coligação liderada pelo SPD. A confirmar-se este cenário, e ficando de fora a formação de extrema-direita AfD (Alternativa Para a Alemanha), a coligação tripartidária com SPD, Verdes e liberais seria conhecida como o Semáforo devido às cores dos partidos: vermelho do SPD, verde dos ecologistas e amarelo dos liberais do FDP.

Outro cenário possível seria a coligação Jamaica, devido às cores da bandeira do país, esta preferida pelos liberais liderados por Christian Lindner: negro, com os conservadores da CDU/CSU, verde (ecologistas) e amarelo (FDP). Serão, por isso, os partidos minoritários a decidir, em última instância, quem governa, ao escolherem com quem quererão governar. E ainda que Scholz possa ter maior legitimidade para ser chanceler, por ter tido maior votação nas eleições, nada impede que seja Laschet a suceder a Angela Merkel. 

Afastada, perante os resultados eleitorais, está a coligação das esquerdas, com SPD, os Verdes e o Die Linke, que conseguiu cerca de 5% dos votos, no limite para ter representação parlamentar. 

Recorde-se que, em 2017, as negociações com vista à formação do governo prolongaram-se durante mais de 200 dias.
 

Bárbara Cruz