A tensão política vivida em Israel não é novidade. No espaço de dois anos foram realizadas quatro eleições legislativas no país e Benjamin Netanyahu não conseguia formar um governo com o bloco de direita. Neste momento, existem dois cenários em cima da mesa: novas eleições ou um "governo de unidade". Talvez este último seja, neste momento, o mais crível. 

O ultranacionalista Naftali Bennett, líder do partido Yamina, anunciou no domingo o seu apoio à criação de um governo com o bloco da oposição liderado pelo centrista Yair Lapid, abrindo assim caminho para a queda de Benjamin Netanyahu.

De acordo com a imprensa local, Bennett e Ladip estão a negociar um executivo alternativo. O primeiro seria primeiro-ministro nos primeiros dois anos e o centrista assumiria o cargo nos dois últimos.

Netanyahu está no poder há 12 anos, envolvido em vários processos de corrupção. A TVI24 fez uma pequena cronologia dos factos que culminaram no cenário político atual. 

23 de março - Israel realiza as quartas eleições legislativas inconclusivas. Mais uma vez, nenhum partido conseguiu uma maioria para formar governo. O Likud (direita) de Netanyahu obteve 30 lugares, surgindo como maior partido, seguido-se a formação centrista Yesh Atid do líder da oposição Yair Lapid com 19 deputados.

Em terceiro lugar aparece o Shas (ultraortodoxo sefardita) com nove assentos, seguido da coligação Azul e Branco (centrista do anterior ministro da Defesa Benny Gantz) com oito.

6 de abril - O presidente de Israel, Reuven Rivlin, dá um prazo de 28 dias a Netanyahu para formar governo. Ele consegue atrair pequenos partidos de direita e alguns religiosos, mas falha. 

5 de maio - Rivlin decide apostar em Lapid, que tenta formar um "governo de mudança", com uma coligação inédita entre direita, esquerda e centristas. Uma solução governativa que acabou por não avançar.

10 de maio - Começa o conflito entre Israel e Hamas em Gaza.  

21 de maio - Israel e Hamas chegam a acordo para cessar-fogo na Faixa de Gaza. Onze dias depois do início dos confrontos que fizeram mais de 230 mortos.

30 de maio - Bennett anuncia que se vai juntar aos rivais centristas para destituir Netanyahu.

2 de junho - Termina o prazo para Lapid anunciar se conseguiu ou não formar uma coligação maioritária. Caso não seja uma tarefa bem sucedida, o presidente israelita passa essa responsabilidade para qualquer outra pessoa do Knesset (parlamento), que pode voltar a ser Netanyahu.

23 de junho - Se nenhum candidato for eleito no prazo de 21 dias, ou se o candidato não conseguir formar governo, o parlamento é de imediato dissolvido e são convocadas as quintas eleições legislativas em dois anos. Provavelmente, no outono. 

Cláudia Évora