A primeira-ministra britânica anunciou, esta segunda-feira, que a votação na Câmara dos Comuns vai ser "adiada por tempo indefinido". O adiamento foi justificado "pelo previsível chumbo do acordo". 

Theresa May anunciou ainda que se pretende reunir novamente com os líderes da União Europeia para pedir mais garantias. 

O adiamento foi decidido no dia em que o Tribunal de Justiça Europeu revelou que o Reino Unido pode revogar o processo de "Brexit", isto é, a decisão de abandonar a UE, de forma unilateral, sem consultar os outros estados-membros.

A hipótese de a votação ser adiada começou a ser especulada ainda na semana passada na imprensa britânica, que deu conta de membros do governo preocupados não só com o conteúdo do texto, mas também com as possíveis consequências da votação.

Dezenas de deputados do partido Conservador, atualmente no poder, manifestaram-se publicamente contra o acordo, ameaçando com uma derrota esmagadora do governo, que não tem maioria na Câmara dos Comuns, o que poderia forçar a demissão de Theresa May.

Um dia agitado que está a afetar a economia britânica, a libra atingiu um mínimo de dezoito meses e aproxima-se do segundo valor mais baixo desde 1950. Desde o referendo que a libra, face ao dólar, não atingia um valor tão baixo, ao negociar a 1,263 dólares.

Na reação ao anúncio da primeira-ministra, Jeremy Corbyn, líder do partido Trabalhista, diz que "Theresa May deve abrir caminho" se for incapaz de aprovar um acordo. O líder dos Liberais Democratas garantiu ainda que pode apoiar uma "moção de censura dos Trabalhistas"

O Governo português já reagiu ao adiamento da votação. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva garantiu que "há outras saídas" caso Londres rejeite o acordo.