A Nova Democracia (ND, direita), o principal partido da oposição na Grécia, confirmou a sua ampla vitória na segunda volta das eleições regionais e locais após o triunfo nas europeias de 26 de maio, revelam os resultados oficiais divulgados esta segunda-feira.

Os candidatos da ND conquistaram no domingo todas as regiões gregas à exceção de Creta, a única que reelegeu um candidato das esquerdas, Stavros Arnautakis, apoiado pelo Syriza (no poder) e pela aliança social-democrata Kinal.

O mapa foi pintado de azul, mas neste caso o azul não é a cor do nosso partido mas sim do nosso país”, declarou o líder da ND, Kyriakos Mitsotakis, advertindo que as eleições legislativas antecipadas, que devem decorrer em princípio a 7 de julho, serão “críticas” e uma oportunidade para que “a esperança se converta em realidade”.

Os resultados de domingo podem fazer prever que esse êxito se repita nas legislativas antecipadas, convocadas pelo primeiro-ministro Aléxis Tsipras após a vitória da ND nas europeias, com uma vantagem de quase dez pontos percentuais, recorda a agência noticiosa Efe.

Os candidatos da direita venceram nos municípios mais importantes, a capital Atenas e Salónica, a segunda maior cidade do país.

Na capital foi eleito Kostas Bakoyannis, 41 anos, a terceira geração de uma dinastia política. Filho de Dora Bakoyannis, a primeira mulher presidente da câmara municipal de Atenas, é neto do patriarca Konstantinos Mitsotakis, ex-primeiro-ministro, e sobrinho do atual líder da ND.

Kostas Bakoyannis obteve mais de 65% dos votos face ao seu rival das esquerdas Nasos Iliopulos, que se quedou com cerca de 35%.

A vantagem obtida pelos candidatos da ND sugerem dificuldades acrescidas para o Syriza e para o seu líder e primeiro-ministro, que na definição de diversos observadores se decidiu por uma arriscada “jogada de póquer” ao convocar eleições antecipadas, que devem ser confirmadas em breve após o seu encontro com o Presidente Prokopis Pavlopoulos.

Após os resultados da segunda volta, Tsipras deslocou-se à praça Syntagma para assumir a derrota dos seus candidatos, e para referir junto de apoiantes que “como na vida, em política deve saber-se como ganhar mas também como perder”.

Na segunda volta das eleições locais de domingo a abstenção superou nos resultados da primeira volta, que decorreu em simultâneo com as eleições europeias, e ultrapassou os 58%, apesar de o voto ser obrigatório na Grécia.

A aliança social-democrata Kinal formada pela fusão do histórico Partido Socialista pan-helénico (Pasok) com outras formações do centro, também registou um duro golpe eleitoral no escrutínio deste fim de semana.

No decurso do dia de reflexão, o ex-líder do Pasok, Evangelos Venizelos, anunciou o abandono da aliança após não ser incluído como cabeça de lista para as legislativas, uma decisão que poderá desestabilizar o Kinal a apenas um mês das eleições.