Os opositores ao regime de Nicolás Maduro voltaram a sair à rua, esta quinta-feira, para pedir a destituição do presidente e a marcação de eleições antecipadas. Milhares de manifestantes ecoaram nas ruas palavras de ordem contra o atual regime, num protesto que teve apoio noutras cidades do mundo. 

Os protestos surgem num dia em que Maduro garante que presidente norte-americano deu ordens para o matarem. O presidente da Venezuela diz que os Estados Unidos querem apoderar-se do petróleo da Venezuela e acredita que Donald Trump já deu ordem para o seu assassinato. E, em resposta, anunciou que quer distribuir armas a dois milhões de civis, para criar milícias em todos os bairros

A escalada de tensão na Venezuela já levou a ONU a pedir diálogo entre as duas partes, mas até agora as posições radicalizam-se cada vez mais com o passar dos dias.  

Donald Trump quer contacto permanente com Guaidó

Durante a tarde desta quarta-feira (hora de Lisboa), Donald Trump esteve ao telefone com o autoproclmado presidente para reiterar o apoio ao "movimento democrático. O presidente-norte americano foi um dos primeiros chefes de estado a reconhecer Guaidó como presidente do país.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, chefe de Estado desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento, no qual a oposição tem maioria, como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos da América.

A União Europeia fez um ultimato a Maduro para convocar eleições nos próximos dias, prazo que Espanha, Portugal, França, Alemanha e Reino Unido indicaram ser de oito dias, findo o qual os 28 reconhecem a autoridade de Juan Guaidó e da Assembleia Nacional para liderar o processo eleitoral.

A repressão dos protestos antigovernamentais da última semana provocou 40 mortos, de acordo com dados das Nações Unidas.

Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados da ONU.