Um menino de dois anos morreu depois de ter sido detido na fronteira dos EUA. De acordo com a Associated Press, o menino foi detido, a 3 de abril, com a mãe quando tentavam entrar nos Estados Unidos em El Paso, Texas, pela ponte internacional de Paso del Norte, na Ciudad Juarez, no México, vindos da Guatemala.

Segundo o cônsul da Guatemala em Del Rio, no Texas, Tekandi Paniagua, o menino apresentava febre alta e tinha dificuldades em respirar, tendo sido levado para um hospital pediátrico de Providence, em El Passo, onde foi diagnosticado com uma pneumonia.

Esteve internado durante um mês, acabando por morrer esta terça-feira.

O Departamento da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA garante que, três dias depois de serem detidos, a mãe disse aos agentes que o menino estava doente e que a criança foi hospitalizada no mesmo dia.

No entanto, segundo o jornal The Washington Post, a criança só foi internada no dia seguinte. A 8 de abril, a mãe e o menino foram oficialmente libertados pela Patrulha da Fronteira. 

Esta é a quarta morte de um menor guatemalteco após ser detido pela Patrulha da Fronteira norte-americana desde dezembro de 2018.

Em dezembro de 2018, morreram Jakelin Caal Maquin, de 7 anos, e Filipe Gómez Alonzo, de 8.

Os dois encontravam-se sob custódia das autoridades norte-americanas, tendo as mortes suscitado polémica nos Estados Unidos.

No passado dia 30 de abril, morreu de uma infeção no cérebro um rapaz de 16 anos, Juan de León Gutiérrez, que tinha sido detido dias antes em El Paso e transferido para um albergue de menores.

Na fronteira sul dos Estados Unidos regista-se a maior vaga migratória da última década, o que já fez com que as autoridades norte-americanas tenham reconhecido que a situação está "descontrolada". Segundo os jornais internacionais, o centro temporário de El Paso está sobrelotado e sem condições, tendo sido reportado que as famílias ali detidas passam as noites no chão frio, ficando muitas vezes doentes e sem receber a assistência devida.

Em abril, o número de migrantes detidos após atravessarem a fronteira foi superior aos 100 mil. Na maioria são famílias da América Central, sobretudo da Guatemala, que pedem asilo ao chegarem aos Estados Unidos. 

Andreia Miranda