O antigo ministro das Finanças do Brasil, investigado por corrupção, admitiu ter uma conta não declarada na Suíça, mas negou que o dinheiro seja proveniente de subornos, segundo um documento entregue na segunda-feira à justiça.

Guido Mantega, que foi ministro das Finanças durante os governos dos antigos Presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, alegou que o dinheiro em causa foi obtido através da venda de um imóvel da propriedade da sua família.

Essa conta bancária na Suíça, com um saldo de 600 mil dólares norte-americanos, que não foi declarada ao Fisco, foi aberta antes de assumir a chefia do Ministério das Finanças brasileiro, em 2006, segundo declarou a defesa de Guido Mantega.

O ex-ministro "não espera perdão nem clemência pelo erro que cometeu ao não declarar valores no exterior, mas reitera que jamais solicitou, pediu ou recebeu vantagem de qualquer natureza como contrapartida ao exercício da função pública, conforme poderá inclusive confirmar o extrato da conta, documento que o peticionário se compromete a apresentar tão logo o obtenha da instituição financeira", afirmou o seu advogado, citado pela imprensa brasileira.

Mantega chegou a ser detido, em setembro do ano passado, no âmbito da operação Lava Jato, mas foi libertado pouco depois devido à sua delicada situação pessoal, em concreto, atendendo ao quadro de saúde da mulher, que sofre de cancro.

Ministro das Finanças do Brasil entre 2006 e 2015, Mantega é suspeito de ter solicitado doações para o Partido dos Trabalhadores (PT) a empresários favorecidos irregularmente com contratos da petrolífera estatal Petrobras.

Além de correligionário de Lula e Rousseff no PT, Mantega foi, durante muitos anos, um dos principais ideólogos económicos do maior partido de esquerda brasileiro.