O antigo primeiro-ministro e ex-presidente do parlamento da Costa do Marfim, Guillaume Soro, foi esta terça-feira condenado, por um tribunal de Abidjan, a 20 anos de prisão por desvio de fundos públicos e branqueamento de capitais.

Guillaume Soro, que se declarou candidato às eleições presidenciais de outubro e vive exilado em Paris, foi também privado dos seus direitos políticos durante cinco anos e terá de pagar uma multa de 4,5 mil milhões de francos CFA (cerca de 6,8 milhões de euros).

Em causa, está segundo o tribunal, a compra, com dinheiros públicos, da sua casa, em Abidjan, no valor de 1,5 mil milhões de francos CFA (cerca de 2,3 milhões de euros), em 2007, quando era primeiro-ministro do país.

O tribunal determinou igualmente o arresto da casa.

Guillaume Soro e os seus advogados não estiveram presentes na audiência, no tribunal correcional de Abidjan, que decorreu hoje, apesar de Tribunal Africano dos Direitos Humanos e dos Povos (ACHPR, na sigla em inglês) ter decretado a suspensão do mandado de detenção de que o ex-líder rebelde era alvo desde dezembro.

O ACHPR, com sede na Tanzânia, ordenou, na quarta-feira, à Costa do Marfim que suspendesse o mandado de detenção contra Guillaume Soro e libertasse os seus 19 apoiantes e familiares detidos há quatro meses.

O tribunal deu ao estado da Costa do Marfim 30 dias para executar a sentença, adiantando que a decisão não é passível de recurso.

O advogado do Estado costa-marfinense, Abdoulaye Ben Méité, defendeu, na sexta-feira, que a data para o julgamento tinha sido fixada muito antes da decisão do ACHPR, considerando que esta não determinava o levantamento da acusação, mas apenas a suspensão do mandado de detenção emitido contra Soro.

Na sessão de hoje, foi emitido um novo mandado de detenção contra Guillaume Soro, o que impedirá o líder do partido Gerações e Povos Solidários (GPS) de se candidatar às eleições presidenciais marcadas para outubro.

O coletivo de advogados de Guillaume Soro considerou, no início da semana, que o calendário da audição não deixa dúvidas de que se trata “de uma tentativa de execução política em forma de farsa judicial”.

O único objetivo desta audiência precipitada é tornar Guillaume Soro inelegível para se candidatar às eleições, numa sentença a proferir em segredo, à porta fechada, em violação de todas as regras de direito e de procedimento e a pretexto de acusações fantasiosas, caluniosas e altamente contestadas”, defenderam os advogados de Soro.

Antigo aliado do presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, que ajudou a chegar ao poder durante a crise pós-eleitoral de 2010-2011, Guillaume Soro tornou-se primeiro-ministro e presidente da Assembleia Nacional, antes de ter entrado em conflito com o chefe de Estado no início de 2019.

Na origem do afastamento entre os dois, estiveram, segundo analistas, as ambições presidenciais de Guillaume Soro.

/ AG