Alunos guineenses colocaram esta sexta-feira pneus a arder nas principais avenidas de Bissau, bloqueando a capital do país em protesto contra a nova greve de professores.

Vários grupos de alunos bloquearam as principais vias de acesso à cidade e estão a impedir a circulação automóvel, com exceção de viaturas de organizações internacionais, forças de segurança e de jornalistas, colocando pneus a arder nas estradas.

Os jovens, que estão a atuar em várias zonas da cidade, também têm estado a lançar pedras, partir garrafas e já danificaram algumas viaturas.

No centro da cidade, há pneus a arder em frente à casa do Presidente do parlamento, Cipriano Cassamá, e em toda a Avenida Francisco Mendes, onde está situado também o Hospital Nacional Simão Mendes, no bairro Santa Luzia e Pilum, na Mãe de Água, junto ao parlamento nacional, e em várias estradas de acesso a outros bairros.

Os alunos, que circulam livremente, apenas estão a ser impedidos pelas forças de segurança de chegarem à Praça dos Heróis Nacionais, onde está situada a Presidência da República guineense.

"Queremos ter aulas"

No protesto os alunos gritam frases como: "Paguem os nossos professores, queremos ter aulas".

Uma delegação de alunos está reunida com o ministro da Presidência do Conselho de Ministros e Assuntos Parlamentares, Agnelo Regala, que hoje esteve já reunido com os três sindicatos dos professores para pedir para não fazerem greve.

Os três sindicatos iniciam segunda-feira mais um período de greve de 30 dias para reclamar os pagamentos de salários e subsídios em atraso em há vários anos e aplicação do Estatuto de Carreira Docente.

Os professores guineenses estiveram em greve entre outubro e janeiro e os alunos das escolas públicas não tiveram aulas durante todo o primeiro período do ano letivo.

Os protestos levaram ao cancelamento de uma série de atividades oficiais.

20 detidos

Cerca de 20 jovens foram detidos devido a atos ilícitos praticados nas manifestações de alunos em Bissau, durante as quais cortaram estradas, segundo disse o comissário nacional da Polícia de Ordem Pública (POP) da Guiné-Bissau, Celso de Carvalho.

O responsável disse também que, pelo menos, dois agentes da POP ficaram feridos quando tentavam dispersar os jovens que ocuparam ruas de Bissau, durante o dia de hoje, impedindo a circulação de automóveis e queimando pneus nas estradas.

Os cerca de 20 jovens detidos estão a ser ouvidos na sede da POP em Bissau para determinar as suas motivações, disse o general Celso de Carvalho.

Inácio Badinca, um porta-voz do coletivo Carta 21, que reúne alunos de vários liceus do país, demarcou-se de "atos de vandalismo", que o comandante da POP também repudiou.

Celso de Carvalho afirmou que tentou demover os alunos a não realizarem as manifestações, mas ao perceber da sua determinação colocou os agentes nas ruas. O oficial da polícia lamentou o rumo que as manifestações dos alunos tomaram a partir de um certo momento.

Sempre chamamos a atenção de que sabemos como iniciam as manifestações desse género, mas nunca se sabe como acabam", defendeu o comandante da POP, que disse ter visto nas manifestações "caras de pessoas que não eram alunos".

O dirigente da polícia apelou para que os jovens abandonem as ruas e prometeu que os agentes têm ordens para usar a força "se for necessário" para reporem a tranquilidade na cidade de Bissau.

Vamos pôr ordem, mas se alguém ficar lesionado não é da nossa responsabilidade", avisou o general Celso de Carvalho.

De acordo com o oficial, a POP não tolerará atos de vandalismo ou de perturbações da ordem pública, até porque, disse, o Governo já se comprometeu em atender "todas as reivindicações" dos professores e dos próprios alunos, frisou.