Jani Leinonen, finlandês, é o autor da escultura "McJesus", que mostra o palhaço-mascote da cadeia de hambúrgueres McDonald's crucificado, a qual tem gerado protestos nas ruas de Haifa nos últimos dias, até com tentativas de invasão do museu de arte da cidade israelita. O artista surge agora a garantir que não deu a sua autorização para que a peça integrasse a exposição.

Desde a semana passada, a exposição "Sacred Goods" ("Bens sagrados") tem gerado a contestação da parte da minoria de cristãos árabes, em especial pela peça "McJesus", com a mascote Ronald McDonald crucificada, mas também pelas criações da Virgem como uma Barbie e de Cristo como o boneco Ken.

A ira dos populares tem-se feito sentir e, no final da passada semana, o museu foi apedrejado, com três polícias a ficarem feridos. Os jornais israelitas dizem mesmo que uma bomba artesanal foi atirada contra as instalações.

Hitler com a Torá

A fúria da comunidade cristã tem vindo a crescer ao longo dos últimos dias, enquanto a escultura "McJesus" continua em exibição e os manifestantes culpam o governo israelita por não intervir.

Se eles colocassem [uma escultura de] Hitler com um pergaminho da Torá, eles responderiam imediatamente", disse um dos manifestantes ao site noticioso israelita Walla.

Contudo, após protestos de líderes religiosos, na quinta-feira, a ministra israelita da Cultura, Miri Regev, escreveu ao diretor do museu, pedindo-lhe a remoção da escultura.

O desrespeito aos símbolos religiosos sagrados para muitos fiéis no mundo como um ato de protesto artístico é ilegítimo e não pode servir como arte numa instituição cultural apoiada por fundos estatais", escreveu a ministra.

O diretor do museu acedeu, segundo a imprensa israelita, a reunir-se com líderes religiosos cristãos e autoridades da cidade de Haifa, mas defendeu a presença da escultura na exposição, estranhando até a revolta que só agora causa. Porque, como lembrou Nissim Tal, a peça está em exibição há meses - desde 4 de agosto, segundo o site do museu - e foi mostrada noutros países sem incidentes.

Até ao momento, o museu recusou retirar o "McJesus", dizendo que iria infringir a liberdade de expressão. Mas, após os protestos, pendurou uma cortina sobre a entrada da exposição, com uma placa dizendo que a arte não pretende ofender.

É o máximo que podemos fazer. Se derrubarmos a arte, no dia seguinte teremos políticos exigindo que tiremos outras coisas e acabaremos apenas com fotos coloridas de flores no museu", sublinhou o diretor do museu.

Autor quer "McJesus" fora

Se bem que por razões distintas, também o artista finlandês de 40 anos, autor da escultura, exige a sua retirada da exposição patente em Haifa. Jami Leinonen fez saber que integra o "Movimento BDS", que apela ao boicote cultural a Israel, em defesa dos direitos e autodeterminação dos palestinianos.

Tive conhecimento da exposição e das manifestações. Incomodou-me muito, porque a peça é exibida contra a minha vontade. Pedi para a removerem, porque ingressei no Movimento BDS que boicota Israel. Com base nas respostas do curador, presumi que ele a tivesse removido da exposição", afirmou o finlandês à televisão israelita Keshet.

Em contraponto, o Museu de Arte de Haifa afirmou não ter recebido qualquer solicitação para remover "McJesus" da exposição.

A escultura foi emprestada por uma galeria na Finlândia como parte de um acordo. O museu nunca recebeu qualquer exigência para a remover da exposição", asseguraram os responsáveis à televisão Keshet.