O exército de Israel anunciou, ao início da noite desta quinta-feira, uma ofensiva terrestre na Faixa de Gaza. no âmbito da operação militar em curso contra o movimento islâmico xiita Hamas.

"A força aérea israelita e as tropas terrestres estão a realizar um ataque na Faixa de Gaza", disse o exército numa breve mensagem, que confirmou a entrada de soldados no enclave palestiniano.

Contudo, horas depois, o mesmo exército veio negar a entrada das forças terrestres no território, noticia a AFP.

Num evidente sinal de que o conflito pode escalar nas próximas horas e dias, o ministro da Defesa de Israel aprovou a mobilização de mais 9.000 soldados reservistas e o porta-voz militar de Israel, Hidai Zilberman, disse que um reforço de efetivos está já a concentrar-se na fronteira com a Faixa de Gaza.

Em declarações à estação de televisão pública israelita, Zilberman disse que as forças estão a preparar "a opção de uma manobra terrestre", com veículos blindados e artilharia a ser colocados em alerta para poderem ser "mobilizados a qualquer momento".

A ofensiva começou pouco depois de pelo menos três rockets terem sido disparados a partir do Líbano contra Israel.

Do lado dos palestinianos, há relatos de centenas de pessoas que começam a abandonar as casas. 

O diplomata palestiniano Husam Zomlot publicou uma imagem das chamas a norte de Gaza, após o bombardeamento de Isreael 

O balanço  mais recente das vítimas já superou uma centena de mortos, incluindo 27 crianças e 11 mulheres. Há ainda 580 pessoas feridas desde segunda-feira.

O Conselho de Segurança da ONU realizará no domingo uma reunião pública virtual sobre o conflito israelo-palestiniano, anunciaram hoje fontes diplomáticas.

A reunião, inicialmente marcada para sexta-feira com caráter de urgência, foi solicitada por 10 dos 15 membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas (Tunísia, Noruega, China, Irlanda, Estónia, França, Reino Unido, São Vicente e Granadinas, Níger e Vietname).

O conflito entre Israel e o Hamas está a ser acompanhado por uma onda de violência entre judeus e muçulmanos em várias cidades israelitas.

Governada durante quatro séculos pelo Império Otomano, a Palestina fica, em 1922, sob o mandato do Reino Unido, que se compromete a criar na zona um “lar nacional judeu”. Londres enfrentou a Grande Revolta Árabe de 1936 a 1939 e, a partir de 1945, a luta armada de grupos sionistas clandestinos.

Em 1947, a ONU aprova a partilha da zona em dois Estados independentes, um árabe e o outro judeu, bem como a criação de uma zona internacional em Jerusalém.

No dia seguinte ao da proclamação do Estado de Israel, a 14 de maio de 1948, os países árabes entram em guerra com o novo Estado. No final do conflito, Israel ocupa 78% da Palestina sob mandato britânico. Mais de metade da população palestiniana – 760.000 pessoas – segue o caminho do êxodo.

Durante o conflito israelo-árabe de 1967, Israel ocupa, além de parte dos montes Golã sírios e do Sinai egípcio, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, que anexa posteriormente.

Israel, que retirou à Jordânia o controlo da parte oriental de Jerusalém em 1967, proclamou, em 1980, a cidade como “capital eterna e indivisível”. A comunidade internacional nunca reconheceu esta anexação e os palestinianos veem Jerusalém Oriental como a capital do seu futuro Estado.

No final de 2017, o então Presidente norte-americano, Donald Trump, reconheceu Jerusalém como a capital de Israel, desencadeando a cólera dos palestinianos.

Rafaela Laja .