Uma jovem britânica conseguiu fugir do marido e regressar ao Reino Unido depois de ter sido forçada a casar. A vítima conseguiu escapar sozinha, durante a lua-de-mel, e ao chegar ao aeroporto de Heathrow prestou declarações à polícia.

Segundo o jornal britânico Metro, o marido da jovem, também ele britânico, ao regressar ao Reino Unido foi de imediato submetido a interrogatório pelas autoridades, mas ainda não é claro se foi, ou não, aberta uma investigação criminal. 

A porta-voz do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Amanda Read, explicou que há uma semanas tinha acontecido um caso semelhante.

Há umas semanas tivemos um caso, em Heathrow, de uma jovem que tinha sido forçada a casar, partiu em lua de mel e conseguiu escapar durante a estadia […] É uma investigação que ainda está a decorrer. Ainda não tinha visto um caso destes. Acho que o casamento aconteceu aqui no Reino Unido. Ela é adulta, uma jovem adulta”.

Este incidente ficou conhecido depois de a polícia londrina, em conjunto com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, ter lançado a operação Limelight. O objetivo era identificar este tipo situações, dando especial atenção aos voos de e para países onde a prática dos casamentos forçados é mais comum, como por exemplo, o Paquistão, o Bangladesh e a Índia.

Em 2018, o Ministério do Interior do Reino Unido recebeu denúncias de 1764 casos, sendo que, desse total, 574 envolviam menores de 18 anos.

Em declarações aos media locais, Allen Davis, inspetor da polícia londrina, alegou que “o casamento forçado é crime e tem consequências devastadoras” e que a pena pode ir até um máximo de sete anos. 

As tripulações das várias companhias aéreas e os funcionários dos balcões onde é feito o check-in estão a receber formação no sentido de conseguirem identificar, com mais precisão, os casos de casamento forçado, mutilação genital feminina e escravatura.

O objetivo é adotar medidas de prevenção para que estes casos sejam detetados e denunciados antes da intervenção policial.