O Governo alemão apelou a que se enfrente decisivamente qualquer tendência nacionalista, para que não se repita um genocídio como o de Srebrenica, cidade da Bósnia e Herzegovina, há 25 anos, exigindo justiça para que possa haver reconciliação.

“Estamos de acordo que Srebrenica não se deve repetir nunca mais. Devemos enfrentar decisivamente qualquer tendência nacionalista onde quer que seja”, apelou, em comunicado, o ministro dos Assuntos Exteriores alemão.

Para Heiko Maas, “nenhum outro lugar representa, como Srebrenica, as atrocidades e crimes contra a humanidade” cometidos na década de 1990 nos países da extinta Jugoslávia.

O ministro lembrou que 8.000 homens e mulheres jovens foram assassinados “e, isso, no final do século XX, no centro da Europa, praticamente debaixo dos olhos da comunidade internacional”.

“Juntamente com a memória das vítimas, o reconhecimento da responsabilidade criminal dos perpetradores é o principal para reconciliar uma sociedade. Precisamente na Alemanha, estamos comprometidos com isso de maneira muito decidida, também pela nossa responsabilidade perante a nossa própria história”, sublinhou.

Neste sentido, Heiko Maas adiantou que a Alemanha sempre apoiou o Tribunal Penal Internacional para a antiga Jugoslávia (TPIJ) e manifestou a sua satisfação por continuar a trabalhar de maneira responsável com o Mecanismo Residual de Tribunais Penais Internacionais.

Porém, segundo o ministro, além dos mecanismos internacionais de justiça criminal, “os próprios países têm a responsabilidade de levar os criminosos à Justiça”.

“No dia de hoje, estamos com os nossos corações e a nossa memória com as vítimas do genocídio de Srebrenica e com as suas famílias. A memória deve servir como um impulso para, de maneira consequente, seguir o caminho da reconciliação e da revisão”, defendeu.

Após a conquista de Srebrenica em 11 de julho de 1995, mais de 8.000 bósnios muçulmanos foram assassinados, entre 12 e 22 de julho, por soldados do exército sérvio bósnio dirigidos pelo general Ratko Mladic, em Srebrenica e arredores, numa zona, na época, teoricamente protegida pelos capacetes azuis das Nações Unidas (ONU).

/ AM