A oposição da Costa do Marfim anunciou um “Conselho Nacional de Transição”, liderado pelo antigo presidente Henri Konan Bédié, para a formação de um “governo de transição”, após um fim de semana marcado pela violência nas eleições presidenciais.

A oposição “anuncia hoje a criação do Conselho Nacional de Transição (…) presidido por Henri Konan Bédié", sendo a "missão do conselho a de pôr em prática nas próximas horas um governo de transição”, disse o antigo primeiro-ministro Pascal Affi N’Guessan, em nome de toda a oposição, ao presidente do país, Alassane Ouattara, que deverá conquistar um controverso terceiro mandato.

Sem os principais adversários, que boicotaram as eleições por considerarem que Ouattara procurava um terceiro termo “inconstitucional”, o chefe de Estado deve obter uma elevada percentagem dos votos nas eleições do passado sábado, cujos resultados oficiais ainda não são conhecidos.

“O Conselho Nacional de Transição terá a missão de preparar o quadro para uma eleição presidencial justa, transparente e inclusiva (…) e de convocar conferências nacionais para a reconciliação nacional com vista ao restabelecimento de uma paz duradoura na Costa do Marfim”, disse N’Guessan, citado pela agência noticiosa France-Presse (AFP).

No domingo, dia seguinte às eleições, a oposição tinha apelado para uma “transição civil” e à “mobilização geral dos costa-marfinenses para pôr fim à ditadura e à má gestão do Presidente cessante”.

Pelo menos nove pessoas morreram durante o fim de semana em numerosos incidentes e confrontos que afetaram principalmente a metade sul do país, de acordo com a AFP.

Antes da votação, cerca de 30 pessoas tinham morrido em atos de violência pelo país, levantando receios de uma repetição dos conflitos pós-eleitorais registados há dez anos.

Estima-se que 3.000 pessoas tenham morrido devido à recusa do então Presidente, Laurent Gbagbo, em admitir a derrota face ao seu sucessor, Alassane Ouattara.

Eleito em 2010 e reeleito em 2015, Ouattara tinha anunciado em março que não se candidataria a um terceiro mandato, antes de mudar de ideias em agosto após a morte do seu "delfim" designado como candidato presidencial, o então primeiro-ministro Amadou Gon Coulibaly.

A Constituição da Costa do Marfim prevê um máximo de dois mandatos presidenciais, mas o Conselho Constitucional considerou que com a reforma adotada em 2016, a contagem de mandatos de Ouattara tinha sido recolocada a zero, dando cobertura a uma nova candidatura.

/ AM