Os holandeses estão mais uma vez nas bocas do mundo e mais uma vez por más razões. Depois do ministro das finanças holandês, Wopke Hoekstra, ter sugerido que a Comissão Europeia investigasse países como Espanha e Itália, por não terem margem orçamental para lidar com os efeitos da pandemia de Covid-19, agora a capa da revista Elsevier Weekblad tem o seguinte título: "Nem mais um cêntimo para o Sul da Europa"

As críticas por parte da Holanda à forma como está a ser gerida a crise provocada pelo novo coronavírus não são novidade e chegaram mesmo a desenrolar um bate boca entre Wopke Hoekstra e António Costa. Agora, a capa polémica da revista holandesa surge precisamente dois dias depois da União Europeia ter anunciado um Fundo de Recuperação de 750 mil milhões de euros para as economias mais afetadas. 

A capa da Elsevier Weekblad desta quinta-feira

No entanto, através de um olhar mais atento, é possível perceber que Elsevier Weekblad não se ficou pelas palavras. O próprio cartoon realça uma linha que separa os países a Norte e a Sul da Europa, estabelecendo uma diferença entre aqueles que trabalham e aqueles que estão na esplanada ou à beira da piscina a descansar. Ou seja, os holandeses criticam o nível de produtividade entre estes dois grupos.

Na parte superior da imagem foi também deixada uma apreciação aos 500 mil milhões propostos por Emmanuel Macron e Angela Merkel na semana passada

A proposta da chanceler alemã e do presidente francês significa uma transferência de dinheiro do Norte para o Sul da Europa", lê-se no artigo que acompanha a capa da revista

 

Isto é absurdo. Porque os fatos mostram que os países do sul da Europa não são, de maneira nenhuma, pobres e têm dinheiro suficiente. Também podem melhorar facilmente as suas economias, com reformas como as que foram implementadas no Norte". 

O Fundo de Recuperação proposto pela Comissão Europeia, num total de 750 mil milhões de euros, prevê que 500 mil milhões sejam canalizados para os Estados-membros através de subsídios a fundo perdido e os restantes 250 mil milhões na forma de empréstimos.

Portugal poderá arrecadar 26,3 mil milhões de euros em subvenções e empréstimos após a crise de Covid-19.

Recorde a polémica com o ministro das finanças holandês:

Cláudia Évora