Um detetive holandês, de arte, Arthur Brand, afirmou esta terça-feira ter recuperado uma valiosa pintura de Pablo Picasso, 20 anos depois de esta ter sido roubada de um iate saudita em França.

Em entrevista à Associated Press, Arthur Brand disse que tomou posse da pintura "Buste de Femme", de 1938, há duas semanas, depois de a ter procurado durante anos em Amesterdão.

Arthur Brand, um detetive de renome, cujas descobertas anteriores incluem um par de cavalos de bronze esculpidos para Adolf Hitler, entregou o quadro, que ele estima valer cerca de 25 milhões de euros, a uma companhia de seguros, não tendo ficado claro o que aconteceria com a pintura.

O detetive disse que soube tratar-se do quadro real assim que lhe pegou e tirou os dois sacos de plástico que cobriam a tela.

Sabes que é um Picasso porque há alguma magia a sair dele", explicou à agência norte-americana.

Mas essa não era a única razão pela qual Arthur Brand estava convencido da autenticidade do quadro, uma vez que em casos de arte roubada, a parte de trás de uma pintura pode dizer aos especialistas mais do que a parte da frente, explicou o detetive.

Brand afirmou que desde o roubo no iate, ancorado no porto de Antibes da Riviera Francesa, uma série de falsificações foram oferecidas às seguradoras e, posteriormente, rejeitadas.

Um falsificador nunca sabe o que a parte de trás aparenta", disse Brand, sem especificar o que lá estava, "quando eu vi a parte de trás da pintura, sabia que era a verdadeira”.

O detetive começou a sua última busca logo após ouvir rumores sobre o roubo.

Finalmente, localizei alguém que o tinha em sua posse há dez anos, mas ainda levei três anos para me aproximar dele", explicou Arthur Brand.

O detetive acredita que a pintura tenha circulado no submundo do crime da capital holandesa: "Foi usado como algum tipo de dinheiro, como pagamento de drogas ou negócios de armas".

O chefe da equipa de arte e criminalidade da Polícia Nacional Holandesa, Martin Finkelnberg, saudou a recuperação, apesar de não terem sido feitas quaisquer detenções.

Finkelnberg disse ao diário nacional holandês De Volkskrant que ter uma pintura assim “pode ser um fardo e entregá-la ao detetive Arthur Brand é uma saída”.

Feito. Todos estão felizes. A coisa mais importante é que a obra de arte está de volta”, afirmou Martin Finkelnberg.