Um destacado jornalista foi morto a tiro na segunda-feira por atacantes desconhecidos na província central de Ghazni, no Afeganistão, o quarto em apenas dois meses.

O Afeganistão é considerado um dos países mais perigosos do mundo para os jornalistas.

Rahmatullah Nekzad foi abatido a tiro ao sair de casa na cidade de Ghazni, quando se dirigia para uma mesquita, disse o porta-voz do chefe da polícia local, Ahmad Khan Serat.

Nekzad, que dirigia o Sindicato dos Jornalistas de Ghazni, era bem conhecido na região. Foi colaborador da agência de notícias Associated Press desde 2007 e tinha anteriormente trabalhado para o canal de televisão Al Jazeera.

A Comissão para Proteção dos Jornalistas condenou o homicídio e os ataques a jornalistas no Afeganistão.

"O trabalho crucial de Rahmatullah Nikzad, documentando o conflito em curso no Afeganistão, teve um fim trágico com este brutal assassínio", disse Aliya Iftikhar, investigador asiático sénior da Comissão para a Proteção dos Jornalistas.

"A recente vaga de assassínios de jornalistas no Afeganistão é inaceitável e o Governo afegão deve redobrar esforços para garantir justiça e segurança aos membros dos meios de comunicação social", acrescentou.

Nikzad tinha recebido ameaças de diferentes setores ao longo dos anos e tinha alertado entidades locais e nacionais sobre as mesmas, afirmou Abdul Mujeeb Khalvatgar, director da organização afegã de liberdade de imprensa.

Durante a sua carreira, Nekzad foi detido em várias ocasiões pelos Estados Unidos, pelo Governo afegão e pelos rebeldes talibãs.

Os talibãs negaram envolvimento no homicídio, que apelidaram de ataque cobarde. "Consideramos esta matança uma perda para o país", disse o porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid. Grandes extensões da província de Ghazni estão sob controlo talibã.

Combatentes do Estado Islâmico, acusados de uma série de ataques a uma série de alvos no Afeganistão nos últimos meses, afirmaram ter morto outro jornalista afegão no início deste mês.

Dois atacantes abriram fogo e mataram a apresentadora de televisão Malala Maiwand, quando esta saía de casa na província de Nangarhar, no leste do Afeganistão. O motorista também foi morto.

Em novembro, dois jornalistas foram mortos em atentados à bomba separados.

O grupo internacional Repórteres sem Fronteiras classificou o Afeganistão como um dos países mais mortíferos do mundo para os jornalistas.

A Comissão para a Segurança dos Jornalistas Afegãos afirmou que sete jornalistas foram mortos este ano.

/ BC