Um homem de 48 anos matou as duas filhas, de três e seis anos, com uma faca e atirou-se depois de uma janela do sexto andar do prédio onde morava, pondo termo à própria vida. O homicídio, seguido de suicídio, aconteceu na terça-feira de manhã, em Castellón, no leste de Espanha.

De acordo com o jornal El País, a mãe das crianças não se encontrava presente, já que estava separada do pai das filhas, depois de ter apresentado queixa por violência doméstica.

O caso foi descoberto na terça-feira, às 05:30 (04:30 em Portugal continental), quando um vizinho se deparou com o corpo do homem na rua e avisou os serviços de emergência de que uma pessoa teria caído de uma janela do prédio. Um outro vizinho alertou que as duas crianças poderiam estar no apartamento. Os bombeiros entraram em casa do homem e depararam-se com o cenário de horror.

Citada pelo El País, a vice-presidente e conselheira de Igualdade e Políticas Inclusivas da Comunidade Valenciana, Mónica Oltra, afirmou que o motivo do crime foi uma "vingança e maus-tratos para com a mãe, através das filhas".

Juíza negou proteção

Ainda de acordo com o jornal espanhol, a mãe, uma psicóloga de Madrid chamada llama Itziar, pediu ajuda nos tribunais, mas uma juíza especializada rejeitou o pedido de proteção que a mulher de 42 anos tinha apresentado para ela e para as filhas. O alerta lançado por um médico também não foi tido em conta.

llama Itziar solicitou, em fevereiro, medidas de proteção tanto para ela como para as filhas e um procurador determinou que o ex-marido e pai das crianças não se podia aproximar a menos de 250 metros de qualquer uma das três. Mas a juíza titular do Tribunal de Violência contra as Mulheres 1 de Castellón rejeitou o pedido porque não viu uma "situação objetiva de risco". No mesmo tribunal há o registo de um procedimento anterior, que foi aberto após a notificação de um médico.

O casal tinha-se separado há um ano e cuidava das filhas de forma alternada. Um vizinho do bairro e amigo do suposto autor do duplo homicídio contou ou ao El País uma das últimas conversas que teve com o pai das crianças. O alegado homicida, que estava desempregado, confessou ao amigo que estava "amargurado".

"Ele disse-me que a conta bancária tinha sido penhorada, que não tinha nada para comer e que lhe ficaram com tudo", contou o vizinho.

A mãe das crianças morava num apartamento próximo e trabalha num centro educacional para menores com problemas.

De acordo com dados do Ministério espanhol da Igualdade, 27 menores morreram assassinados desde 2013, altura em que se começaram a contabilizar as crianças mortas em casos de violência doméstica contra as mães. Em 2018, há três casos confirmados: um em Almería e dois em Castellón. Há ainda outros dois casos sob investigação.