O papa Francisco fez duras críticas, na homilia do Natal, na noite da consoada, à “voracidade consumista” dos Homens, pedindo que façam uma reflexão espiritual sobre o significado das suas vidas e apelando à partilha com os que nada têm.

O Homem tornou-se ávido e ganancioso. Ter, acumular coisas, parece ser para muitas pessoas o sentido da vida”

Falando para cerca de 10 mil fiéis reunidos, como todos os anos, na Basílica de São Pedro, em Roma, o chefe da Igreja Católica acrescentou que “uma voracidade insaciável atravessa a história humana” até aos paradoxos atuais, com uns a banquetearem-se e muitos outros não terem pão para viver.

Na missa da véspera de Natal, que comemora o nascimento de Jesus da Nazaré, colocado numa manjedoura, o papa pediu que se ultrapasse o egoísmo e que não se caia no consumismo, afirmando depois: “O pequeno corpo do Menino de Belém lança um novo modelo de vida: não devorar nem agarrar mas partilhar e dar”.

Instando as pessoas a questionarem-se sobre se realmente precisam de tantas coisas ou se podem prescindir do que é supérfluo e ter uma vida mais simples, o papa Francisco pediu também que se interrogassem se no Natal compartilham o seu pão com aqueles que não têm.

O papa Francisco, que acabou de completar 82 anos, enviará a sua sexta mensagem de Natal 'Urbi et orbi' esta terça-feira, perante os fiéis reunidos na Praça de São Pedro.

Também ontem, mas em Portugal, na sua tradicional mensagem de Natal, o cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, desejou que o “espírito de Natal” chegue a todos os que por ele anseiam e lhes preencha as carências que tenham. "Ninguém pode ficar de fora dum mundo de todos para todos”.

Benção urbi et orbi

Já nesta manhã de Natal, o papa Francisco disse na tradicional mensagem de Natal que as diferenças “não são um defeito” ou “um perigo”, mas uma “mais-valia”.

As diferenças não são um defeito ou um perigo, são uma riqueza. Somos todos irmãos”.

O chefe da Igreja Católica manifestou o seu desejo de que a Venezuela possa encontrar “concórdia” e que, na Nicarágua, se chegue a uma “reconciliação”.

Pediu ainda pelos povos “que sofrem colonizações ideológicas, culturais e económicas, vendo lacerada a sua liberdade e a sua identidade, e que sofrem de fome e falta de serviços educativos e sanitários”.

Desejou assim, nesta quadra natalícia, “fraternidade entre pessoas de todas as nações e culturas”, entre “pessoas com ideias diferentes, mas capazes de se respeitar e de se escutar”, e entre pessoas de diversas religiões.