Os 70 anos da fundação da República Popular da China que se comemoram esta terça-feira estão a ser assinalados em Hong Kong pelo agendamento de protestos pró-democracia ilegais e pelo fecho de estações de metro.

Apesar da proibição policial de se realizarem manifestações no Dia Nacional da China, os apelos para que a população de Hong Kong saia de novo à rua para exigir reformas democráticas no território multiplicam-se.

Uma situação muito perigosa”, avisou a polícia na véspera, afirmando que “os manifestantes radicais estão a aumentar o seu nível de violência (…) e cada vez mais envolvidos em atos de terrorismo”.

Uma análise de risco que levou, de resto, a empresa que gere o metro em Hong Kong a anunciar esta manhã o encerramento de 11 estações, que têm sido vandalizadas ao longo destes quase quatro meses de protestos.

Sempre que manifestações como aquelas promovidas pela Frente Cívica de Direitos Humanos (FCDH) foram proibidas pela polícia, a ameaça de penas de prisão não travou a mobilização maciça da população em Hong Kong.

A última grande manifestação proibida pelas autoridades de Hong Kong, a 18 de agosto, terá levado para as ruas mais de 1,7 milhões de pessoas, um número contrariado pelas autoridades que estimaram 128 mil no protesto.

Segundo uma estimativa da própria associação, a FCDH foi responsável pelas manifestações que levaram à rua um milhão de pessoas a 09 de junho e dois milhões a 16 de junho, com a polícia a nunca contabilizar mais de 340 mil pessoas nestas ações.

O Governo de Hong Kong anunciou a retirada formal das emendas à polémica lei da extradição que esteve na base da contestação social desde o início de junho.

Contudo, os manifestantes continuam a exigir que o Governo responda a quatro outras reivindicações: a libertação dos manifestantes detidos, que as ações dos protestos não sejam identificadas como motins, um inquérito independente à violência policial e, finalmente, a demissão da chefe de Governo e consequente eleição por sufrágio universal para este cargo e para o Conselho Legislativo, o parlamento de Hong Kong.

A transferência de Hong Kong para a República Popular da China, em 1997, decorreu sob o princípio "um país, dois sistemas".

Tal como acontece com Macau, para aquela região administrativa especial da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, com o Governo central chinês a ser responsável pelas relações externas e defesa.

Protestos violentos deixaram Hong Kong irreconhecível

O líder interino de Hong Kong afirmou esta terça-feira, durante as comemorações dos 70 anos da China, que o território está irreconhecível devido aos violentos protestos de que é palco há cerca de quatro meses.

O secretário para a Administração de Hong Kong, Matthew Cheung, falava em representação da chefe do Executivo da região administrativa especial chinesa, Carrie Lam, que se deslocou a Pequim para participar nas comemorações do 70.º aniversário da fundação da República Popular da China.

Altos funcionários do Governo de Hong Kong e cerca de 12 mil convidados assistiram, a partir do Centro de Convenções e Exposições, à cerimónia do hastear da bandeira do país, que decorreu na praça da Bauhinia Dourada, junto ao Centro.

Ao mesmo tempo, nas proximidades, a polícia usava gás pimenta para separar um grupo pró-democrata e outro pró-Pequim.