Com o início de uma nova década a aproximar-se, a TVI recolheu os números mais impressionantes que marcaram a atualidade internacional e que mereceram um maior foco durante o ano de 2019.

 

3.3 mm

Pytheas era um comerciante grego que, (estima-se) em 320 antes de Cristo partiu numa longa jornada em direção ao Norte. Quando regressou trouxe histórias de uma terra chamada Thule, “onde não há noite durante o solstício de verão e o dia é escuro durante o solstício de inverno”.

Pytheas é visto por muitos historiadores como o primeiro explorador do Ártico. Se, em 2019, o grego regressasse à terra que descreveu como um “mar congelado”, iria sem dúvida encontrar uma paisagem diferente.

As temperaturas no Ártico estão a aquecer duas vezes mais depressa do que a média global, sendo uma das principais razões o degelo. Ao derreterem, os blocos de gelo expõe as águas profundas que absorvem mais energia solar do que o gelo.

Um estudo divulgado em setembro revela que a Gronelândia perdeu, em média, sete vezes mais gelo nos últimos 10 anos do que na década de 1990.

O mesmo estudo indica que a perda de gelo na Gronelândia passou dos 33 mil milhões de toneladas anuais registados em média na década de 90, para os 254 mil milhões de toneladas anuais nos últimos 10 anos.

A Gronelândia tem 2.85 mil quilómetros cúbicos de gelo, o suficiente para subir o nível do mar em sete metros.

O nível do mar está a subir, em média, 3.3 milímetros por ano, graças, em parte, a um verão com temperaturas muito altas. A Gronelândia vai contribuir para a subida do nível do mar cerca de 1 milímetro.

 
 

Quase 10 milhões

O cancro é descrito por muitos como a doença do século. Em 2018, cerca de 9.6 milhões de pessoas morreram prematuramente por causa desta doença. Uma em cada seis mortes no mundo é provocada pelo cancro .

A principal causa do cancro é o tabaco (33%) e é particularmente comum nos países desenvolvidos, onde as pessoas têm menos risco de morrerem devido a doenças infecciosas.

Este ano, foram apresentados novos caminhos na luta contra esta doença. A empresa japonesa Toshiba, por exemplo, anunciou ter desenvolvido tecnologia para detetar até 13 tipos de cancro em fase inicial a partir da análise de apenas uma gota de sangue.

Mas as novidades não vêm só de lá de fora: investigadores do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência e do Centro Hospitalar Universitário de São João, no Porto, desenvolveram uma tecnologia que auxilia os médicos a identificar, caraterizar e classificar nódulos pulmonares. Ajudando-os assim durante o processo de diagnóstico do cancro do pulmão.

Em 2019, a TVI contou também histórias inspiradoras de pessoas que lutam com unhas e dentes contra o cancro, como foi o caso de Sandra Rocha, que foi mãe depois de uma gravidez de risco devido a um cancro da mama, já com metástases. No mesmo dia em que teve o primeiro filho foi operada.

 
 

66,9 mil 

O “pulmão do mundo” ardeu em 2019.

O número de incêndios no Brasil cresceu 70% este ano, em comparação com período homólogo de 2018, tendo o país registado 66,9 mil focos em agosto, com a Amazónia a ser o bioma mais afetado.

De acordo com a imprensa brasileira, o bioma (conjunto de ecossistemas) mais afetado é o da Amazónia, com 51,9% dos casos, seguindo-se o cerrado - ecossistema que cobre um quarto do território do Brasil - com 30,7% dos focos registados no ano.

No início de agosto, o governo do Amazonas decretou situação de emergência no sul do estado e na Região Metropolitana de Manaus devido ao "impacto negativo da desflorestação ilegal e queimadas não autorizadas".

O Inpe, órgão do Governo brasileiro que levanta os dados sobre a desflorestação e queimadas no país, foi alvo de críticas recentes por parte do Presidente Jair Bolsonaro, que acusou o Instituto de estar a serviço de algumas organizações não-governamentais por divulgar dados que apontam para o aumento da desflorestação da Amazónia.

Cientistas da NASA que monitorizam focos de incêndio no planeta afirmam que os seus dados sobre o Brasil corroboram os valores indicados pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais brasileiro (Inpe), acrescentando que estão relacionados com a desflorestação.

  

Numa entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Douglas Morton, chefe do Laboratório de Ciências Biosféricas do Centro Goddard de Voo Espacial da Agência Espacial Norte-Americana (NASA, em inglês), declarou ter visto sinais de que a desflorestação no Brasil está a aumentar, sendo possivel relacionar os focos de incêndio com os cortes de árvores na região.

As recentes divulgações do Inpe apontam que a desflorestação da Amazónia cresceu 88% em junho e 278% em julho, comparativamente com o mesmo período do ano passado. No entanto, o Governo brasileiro nega esses dados.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de cinco milhões e meio de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (território pertencente à França).

 

 

6 meses

Em dezembro, assinalaram-se seis meses desde o primeiro protesto em Hong Kong contra o projeto de extradição para a China e outros países.

Na origem dos protestos antigovernamentais está uma polémica proposta de emendas à lei da extradição, já retirada formalmente pelo governo de Hong Kong. Porém, no momento em que essa decisão foi tomada os confrontos entre a polícia e os manifestantes já eram frequentes e violentos.

 

No dia um de outubro, enquanto a China celebrava os 70 anos do partido comunista, Hong Kong viveu um dos seu dias mais violentos e caóticos que resultou num tiroteio onde um jovem de dezoito anos foi ferido no peito.

Uma semana depois, um polícia disparou à queima-roupa contra um manifestante, enquanto os ativistas pro-independência tentavam erguer uma barricada. No mesmo dia, um homem foi regado com um líquido inflamável e incendiado, durante uma discussão.

Em novembro, as eleições regionais registaram uma vitória absoluta para o movimento pro-democracia que conquistou 90% dos lugares, no conselho distrital.

  
  

3 anos e 6 meses

O referendo para a saída do Reino Unido da União Europeia foi realizado no dia 23 de junho de 2016. Com uma taxa de participação de 72%, 17,4 milhões de pessoas votaram a favor do Brexit

A saída da União Europeia estava marcada originalmente para o dia 29 de março de 2019, dois anos após a ex-primeira-ministra Theresa May ativar o Artigo 50 que deu início às negociações para o Brexit.

Durante o tempo em que May esteve no governo, o prazo para o Brexit foi adiado duas vezes depois de os deputados rejeitarem o plano de May para a saída da UE. Um novo prazo foi marcado para o dia 31 de outubro de 2019.

Em dezembro, o Partido Conservador de Boris Johnson  garantiu uma maioria absoluta nas eleições legislativas britânicas.

  

Depois de negociar um acordo com a UE, Boris Johnson não chegou a cumprir o novo prazo para o Brexit, após a decisão dos deputado de não aprovarem o acordo. 

A União Europeia acordou uma extensão para a saída do Reino Unido até 31 de janeirro de 2020.


 

350 mil 

Em outubro, cerca de 350 mil pessoas manifestaram-se em Barcelona sob o lema "Liberdade", numa demonstração de rejeição da sentença do Supremo Tribunal espanhol contra vários líderes independentistas.

A manifestação, convocada pela Assembleia Nacional Catalã (ANC), Òmnium Cultural e um grande grupo de entidades da sociedade civil e culturais, encheu a avenida da Marina de Barcelona para protestar contra as sentenças proferidas pelo Supremo Tribunal contra os líderes do “procés”, o caso que envolve o julgamento dos líderes catalães associados ao referendo independentista de 1 de outubro de 2017.

 

Durante os protestos, Espanha viveu momentos de tensão e violência entre os manifestantes e a polícia.

Entre 14 e 20 de outubro, 593 pessoas, incluindo 289 polícias, ficaram feridos. 


 

9,7 mil milhões 

Segundo um relatório das Nações Unidas publicado em junho, a população mundial deve crescer em cerca de dois mil milhões de pessoas nos próximos 30 anos.

Se a projeção se confirmar, em 2050, a população mundial deverá chegar aos 9,7 mil milhões de pessoas.

Nove países vão responder por mais da metade do crescimento estimado para a população global: Índia, Nigéria, Paquistão, República Democrática do Congo, Etiópia, Tanzânia, Indonésia, Egito e Estados Unidos. Por volta de 2027, a Índia irá superar a China e será o país mais populoso do mundo.

Segundo o relatório, a população da África Subsaariana vai quase duplicar, traduzindo-se num aumento de 99%. Espera-se ainda que a taxa global de fertilidade diminua ainda mais, comparativamente com os 2,5 nascimentos por mulher registados em 2019, para 2,2 em 2050.

 

2 milhões 

A ideia começou como uma brincadeira na rede social Facebook, mas o evento “Storm Area 51, They Can´t Stop Us All (invasão à Área 51, não nos podem parar a todos) acabou por juntar dois milhões de ficionados de objetos voadores não identificados e de supostas visitas de extraterrestres alimentaram especulações em torno das operações militares secretas.

Prometeram juntar-se no dia 20 de setembro para invadirem a base da Força Aérea dos Estados Unidos e para conhecerem e libertarem os extraterrestres que alegadamente estão naquele lugar. Porém, os militares norte-americanos depressa avisaram que a entrada a civis não seria permitida.

  

16 

Greta Thunberg vai fazer 17 anos em janeiro, mas foi em 2019 que a ativista sueca viu a sua fotografia colada a quase todos os movimentos de luta contra as alterações climáticas.

A jovem foi eleita a personalidade do ano para a revista TIME, que a descreve como alguém que “conseguiu criar uma mudança de atitude global”, organizando um movimento mundial que pede mudanças urgentes.

 

Greta Thunberg conseguiu convencer vários líderes mundiais, desde autarcas a chefes de Estado, a assumir compromissos concretos.

Em 2018, a jovem faltou às aulas para acampar em frente do parlamento sueco, segurando uma placa onde se lia “Skolstrejk för klimatet” (“Greve escolar pelo clima”).

Nos 16 meses seguintes, falou com chefes de Estado na ONU, reuniu-se com o Papa, zangou-se com o presidente dos Estados Unidos e inspirou 4 milhões de pessoas a unirem-se à greve climática global em 20 de setembro de 2019, naquela que se tornou a maior manifestação pelo clima da história.