Um tribunal espanhol rejeitou esta terça-feira pela segunda vez a extradição para a Suíça do antigo empregado do banco HSBC Suisse, Hervé Falciani, que denunciou o escândalo conhecido como ‘Swissleaks’.

A Audiência Nacional, que trata deste tipo de casos, declarou que as alegações para extraditar Falciani são as mesmas que as apresentadas anteriormente, em 2013, quando o mesmo tribunal decidiu que as acusações de “espionagem económica agravada” não eram consideradas um crime em Espanha.

Os três juízes encarregados do caso também consideraram que o antigo informático franco-italiano do banco HSBC Suisse não tinha revelado quaisquer segredos, porque apenas os tinha partilhado com autoridades que iniciaram investigações em dezenas de países, incluindo em Espanha.

Condenado na Suíça a cinco anos de prisão por espionagem económica depois de revelar a existência de contas não-declaradas na filial de Genebra do HSBC, pertencentes a milhares de “evadidos fiscais” de todo o mundo, dando origem ao escândalo ‘Swissleaks’, Hervé Falciani forneceu dados que originaram condenações e investigações fiscais pelo menos em França, Espanha, Argentina e Reino Unido.

O escândalo rebentou em 2009, quando o Ministério da Economia francês revelou que dispunha de uma lista de 3.000 cidadãos franceses titulares de contas na Suíça onde estavam depositados cerca de três mil milhões de euros.

No final desse ano, os ficheiros da “lista Falciani” tinham permitido identificar 127.000 contas pertencentes a 79.000 pessoas de 180 nacionalidades.

Além disso, a Suíça pôs definitivamente fim, em 2017, ao sigilo bancário.

O ex-informático já tinha sido detido em 2012 em Barcelona, no norte de Espanha, e mantido sob custódia durante vários meses, na sequência de um pedido de extradição, mas a Justiça espanhola não o entregou à Suíça, tendo ele colaborado durante esse período com o departamento anticorrupção do Ministério Público.