A polícia espanhola deteve o antigo diretor dos serviços secretos militares venezuelanos Hugo Carvajal Barrios, que é procurado pelos Estados Unidos por acusações relacionadas com tráfico de droga.

A detenção ocorreu na quinta-feira em Madrid, numa operação conjunta entre a agência de combate ao tráfico de droga norte-americana DEA e a Unidade de Intervenção espanhola.

Conhecido como "el Pollo", Carvajal vivia “totalmente enclausurado, sem sair para o exterior nem se aproximar da janela e sempre protegido por pessoas da sua confiança”, disseram as autoridades espanholas.

Em junho de 2020, os EUA ofereceram 10 milhões de dólares (8,45 milhoes de euros) por informações que levassem à detenção de Hugo Carvajal.

Alvo de um mandado de extradição pedido pelos EUA, Carvajal tinha sido capturado em Espanha, em 12 de abril de 2019.

Carvajal foi posteriormente libertado sob caução, mas com passaporte confiscado, não podia sair da região de Madrid, de acordo com os termos impostos pelas autoridades, incluindo a obrigatoriedade de se apresentar ao tribunal a cada 15 dias.

O antigo oficial foi a figura mais influente da hierarquia militar venezuelana a apoiar publicamente, em fevereiro de 2018, o opositor, presidente da Assembleia Nacional e autoproclamado Presidente interino venezuelano Juan Guaidó.

Na mesma altura, Carvajal apelou aos militares venezuelanos para se revoltarem com o Governo do Presidente, Nicolás Maduro.

Acabou por ser um de 13 oficiais expulsos das Forças Armadas Bolivarianas da Venezuela (FABV) por decreto presidencial, de acordo com o qual os militares tinham sido visados por não reconhecerem as autoridades legalmente constituídas e por incorrerem no delito de traição à pátria.

Em maio de 2018, o Departamento do Tesouro norte-americano incluiu na “lista negra” de narcotraficantes Pedro Luis Martin Olivares, um antigo responsável do serviço de informações da Venezuela, acusado de lavagem de dinheiro procedente do narcotráfico juntamente com Carvajal.

Hugo Carvajal foi indiciado no passado por acusações relacionadas com tráfico de droga nos estados norte-americanos da Florida (sudeste) e de Nova Iorque (nordeste).

Em 2014, o militar escapou à extradição para os Estados Unidos, depois de ter sido detido por um curto período de tempo em Aruba, onde era cônsul da Venezuela.

/ AG