Uma comissão do parlamento que investiga denúncias de planos para assassinar o presidente da Venezuela divulgou, esta quinta-feira, um relatório acusando nove pessoas de conspiração - entre elas um ex-ministro da Defesa, políticos e proprietários de órgãos de comunicação social, escreve a Lusa.

O relatório foi apresentado pelo deputado Mário Isea e revela que foi desvendado e neutralizado um plano de assassínio presidencial, em que um avião F-16 seria usado para derrubar o avião presidencial e que, além de militares, há participação de civis.

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Segundo o relatório, na Venezuela, «existe um desenvolvimento contínuo de conspiração contra a paz, a democracia, a convivência, a constituição e os direitos do povo, com actores recorrentes no processo de desestabilização».

O documento denuncia que «têm responsabilidade política no processo de conspiração investigado, os cidadãos Miguel Henrique Otero (director do jornal El Nacional), Marcel Granier Diego Arria (director do canal de televisão RCTV), Raul Isaias Baudel (ex-ministro da Defesa), José Manuel González (presidente de FEDECAMARAS), Nelson Mezherane (director do Banco Federal), Alberto Federico Ravell (canal de televisão Globovisión), Rafael Poleo (director do diário Novo País) e Manuel Rosales (político opositor)».

Gravações telefónicas

Na base das denúncias estão alegadas gravações telefónicas divulgadas pela estação televisiva estatal «Venezuelana de Televisão» e trabalhos de imprensa escritos por Eva Gollinger, o ex-vice-presidente venezuelano José Vicente Rangel e Mário Silva, todos eles simpatizantes do presidente Hugo Chávez.

Os sectores opositores a Hugo Chávez já reagiram ao relatório, afirmando que os planos para assassinar o presidente da República são «uma grande farsa e uma grande mentira».

Segundo Juan José Molina, deputado do Podemos (dissidente chavista) a acusação é uma resposta às conquistas da oposição nas eleições regionais de domingo, que conquistou os cinco Estados mais populosos do país e o Distrito Metropolitano.

«É uma demonstração da intolerância política, da violência que se exerce contra alguns cidadãos por expressarem a sua opinião (...) pretendem converter a Assembleia Nacional (parlamento) num tribunal de inquisição», acusou.
Redação / PP