Conservadores, organizações religiosas e deputados evangélicos têm criticado os "irresponsáveis" da Porta dos Fundos, depois de ter chegado à Netflix o especial de Natal do coletivo humorístico brasileiro. O episódio, que tem 46 minutos e se intitula "A Primeira Tentação de Cristo", estreou-se na plataforma na semana passada e satiriza o regresso a casa de Jesus depois de 40 dias no deserto em jejum. "Um Especial de Natal tão, mas tão errado, que só podia ser do Porta dos Fundos", lê-se na sinopse.

O papel de Jesus é interpretado por Gregódio Duvivier, que volta a casa dos pais Maria e José com um amigo - personagem de Fábio Porchat - com quem tem uma relação. 

 

Cristãos e não cristãos me cobram atuação contra os irresponsáveis do Porta dos Fundos. Em anos anteriores já os processei, mas a “Justiça” diz q é liberdade de expressão. Está na hora de uma ação conjunta das igrejas e pessoas de bem para dar um basta nisso. Unidos somos fortes!" escreveu nas redes sociais o deputado evangélico Marco Feliciano.

  

Já o grupo religioso Coalizão pelo Evangelho publicou um texto, assinado pelo pastor Franklin Ferreira, dizendo que o grupo "voltou a debochar da fé cristã" ao retratar "Jesus Cristo como um homossexual".

Não é a primeira vez que o Porta dos Fundos resolve atacar o cristianismo de forma direta. Em 2013 outro programa de Natal gerou polémica e protestos. Em 2014 decidiram que o alvo da zombaria seria o patriarca Abraão, com piadas também sobre Deus. E em 2016 voltaram a ridicularizar os relatos bíblicos sobre Jesus Cristo", frisa no mesmo texto.

A Anaji, Associação Nacional dos Juristas Islâmicos, veio dizer pela voz do presidente Girrad Sammour que a Constituição brasileira "deixa bem claro a proteção e respeito ao sagrado", assinalando Sammour que em solidariedade "com os irmãos cristãos" todos são convocados a denunciar o programa, "pois amanhã os injustiçados seremos nós".

No site Change.org foi mesmo iniciada uma petição que pede que a Netflix retire o episódio especial de Natal do Porta dos Fundos.

Pela remoção do filme do catálogo da Netflix e para que o Porta dos fundos seja responsabilizado pelo crime de vilipêndio à fé. Também desejamos uma retratação pública, pois ofenderam gravemente os cristãos.". Até ao final da manhã de sexta-feira, a petição já reunia mais de um milhão de assinaturas. 

/ BC