Subiu para 446 o número de mortos em Moçambique. De acordo com o ministro da Terra e do Ambiente, Celso Correia, em conferência de imprensa, o ciclone afetou mais de 531 mil pessoas, sendo que apenas apenas 110 mil estão em campos de abrigo.

A informação foi prestada no centro de operações de socorro instalado no aeroporto da cidade da Beira e representa um acréscimo de 29 mortos em relação a sábado.

A cidade da Beira, no centro litoral de Moçambique, foi uma das mais afetadas pelo ciclone, na noite de 14 de março.

Mais de uma semana depois da tempestade, milhares de pessoas continuam à espera de socorro em áreas atingidas por ventos superiores a 170 quilómetros por hora, chuvas fortes e cheias, que deixaram um rasto de destruição em cidades, aldeias e campos agrícolas.

Portugal é um dos países que enviaram técnicos e ajuda para Moçambique, com dois C-130 da Força Aérea e dois aviões comerciais fretados pelo Governo e pela Cruz Vermelha Portuguesa.

761 mortos nos três países afetados pelo ciclone

As autoridades identificaram até ao momento 761 mortos nos três países africanos que há dez dias foram afetados pela passagem do ciclone Idai.

Em Moçambique, o número de mortos subiu hoje para 446, no Zimbabué foram contabilizadas 259 vítimas mortais e no Maláui as autoridades registaram 56 mortos, tratando-se ainda de números provisórios.

O ministro da Terra e do Ambiente moçambicano, Celso Correia, sublinhou hoje que estes números ainda são provisórios, já que à medida que o nível da água vai descendo vão aparecendo mais corpos.

O número de pessoas afetadas em Moçambique subiu para 531.000. Este total "não significa que estejam em risco de vida. São pessoas que perderam as casas" ou que estão "em zonas isoladas e que precisam de assistência", explicou.

Por seu lado, acrescentou o ministro, falando de Moçambique, o número de salvamentos faz com que os centros de acolhimento continuem a encher e registem já 109.000 entradas, das quais 6.500 dizem respeito a pessoas vulneráveis - por exemplo, idosos e grávidas que recebem assistência particular.

Autoridades alertam para inevitáveis surtos de cólera e malária 

Surtos de cólera e malária vão surgir nas próximas semanas na zona afetada pelo ciclone Idai e pelas cheias no centro de Moçambique, disse o ministro da Terra e Ambiente de Moçambique, Celso Correia.

"É importante termos consciência de que vamos ter cólera, malária, já temos filária, e vai haver diarreias. O trabalho está a ser feito para mitigar" os surtos, destacou hoje em conferência de imprensa no centro de operações de socorro instalado no aeroporto da Beira.

As águas estagnadas que inundam toda a região deverá potenciar a propagação de doenças numa altura em que escasseia a água potável e há 109.000 pessoas deslocadas e albergadas em condições sanitárias deficientes nos centros de acolhimento temporários.

"A prioridade nas próximas semanas é evitar a eclosão de doenças", referiu Celso Correia.

A estratágia inclui a instalação de centros de tratamento - habitualmente instalados em zonas de surto para conter e tratar doentes - e distribuição de equipas médicas por todo o território afetado.

"Ontem já conseguimos distribuir médicos e unidades para fazer vigilância" em vários locais, beneficiando da melhoria das condições meteorológicas e da descida das águas.