Uma comissão independente de especialistas vai recolher a partir desta segunda-feira, a pedido da Igreja francesa, depoimentos de pessoas que tiveram conhecimento de abusos sexuais de menores por parte dos membros da instituição desde 1950.

Segundo o presidente da comissão, Jean-Marc Sauvé, trata-se de medir em primeiro lugar a magnitude do fenómeno e a recolha de depoimentos vai decorrer durante um ano.

Em declarações ao diário "Le Parisien", Sauvé precisou que a sua missão será centrada nos abusos sexuais “cometidos contra menores e pessoas vulneráveis por clérigos e religiosos desde 1950”.

Para este propósito, aqueles que têm algo para declarar terão disponível uma linha de telefone e um endereço postal.

Após uma primeira entrevista, é solicitado que preencham um questionário anónimo para formar uma base estatística que será tratada por um instituto demográfico e analisada por um grupo de pesquisadores.

Aqueles que quiserem podem ser ouvidos pela própria comissão, que também pretende fazer o mesmo com especialistas e examinar arquivos diocesanos e judiciais.

Também está previsto pedir aos bispos que prestem contas dos casos que foram vividos nas suas dioceses nas últimas sete décadas.

O comité é composto por 22 membros, que incluem juízes, advogados, teólogos, psicólogos, um historiador, um antropólogo, um sociólogo e um inspetor das finanças.

O relatório final deste trabalho deve ser divulgado até o final de 2020 ou início de 2021.

A 9 de maio o Papa Francisco anunciou legislação mais rigorosa que obriga os sacerdotes e os religiosos a denunciar suspeitas de abusos sexuais na Igreja, assim como qualquer encobrimento pela hierarquia.

Francisco determinou ainda que todas as dioceses do mundo criem antes de junho de 2020 um sistema acessível a quem quiser fazer uma denúncia, bem como a total proteção e assistência aos denunciantes.

As novas regras são ditadas pelo ‘Motu Proprio’ (documento da iniciativa do próprio Papa) "Vos estis lux mundi" (Vós sois a luz do mundo) e entraram em vigor a 01 de junho.

O ‘Motu Proprio’ é uma das espécies normativas da Igreja Católica, expedida diretamente pelo Papa.

A nova carta apostólica surge na sequência da cimeira que Francisco convocou em fevereiro, reunindo no Vaticano os presidentes das conferências episcopais de todo o mundo e responsáveis de institutos religiosos e da Cúria Romana, para debater medidas de proteção a menores na Igreja Católica.