O Papa Francisco aceitou, esta sexta-feira, a demissão de Vilson Dias de Oliveira, bispo brasileiro que está acusado de vários crimes, entre os quais o encobrimento de abusos sexuais praticados por um padre da sua diocese. Além de encobrir os crimes sexuais, o bispo está também acusado de extorsão e enriquecimento ilícito. 

A renúncia foi divulgada pelo site do Vaticano, com Oliveira a deixar o cargo de bispo de Limeira, em São Paulo. Para o lugar do exonerado, o Papa nomeou o antigo arcebispo Orlando Brandes. Não foi divulgado qual o destino do bispo dentro da Igreja Católica.

A decisão ocorreu depois de uma carta enviada por Oliveira ao Papa, no seguimento da prorrogação da investigação de que é alvo. O processo prolongar-se-á por mais 30 dias para concluir a fase de inquérito, algo considerado normal pelo advogado que defende os acusados.

Na carta enviada a Francisco, o bispo agradece à comunidade de Limeira, onde passou os últimos 12 anos. Oliveira reconhece “limitações” na sua personalidade, mas não comenta ou refere as acusações de que é alvo.

Sinto-me pequeno”, foi assim que o bispo começou a carta enviada ao Papa.

Vilson terá pedido, em 2012, a doação de 50 mil reais (cerca de 11 mil euros) para utilização particular. O conselho da diocese não terá acedido ao pedido do bispo, uma vez que se destinava a fins particulares. Pouco depois, Oliveira pediu uma doação de 150 mil reais (perto de 33 mil euros). No mesmo processo, o padre Pedro Ricardo está acusado de quatro abusos sexuais a menores, os quais terão sido encobertos pelo bispo Oliveira.

Em documentos entregue aos responsáveis pela investigação do caso pode confirmar-se que Vilson Oliveira comprou dois imóveis no litoral sul de São Paulo pelo valor de um milhão de reais (à volta de 220 mil euros). O bispo terá dito que tudo foi comprado com dinheiro obtido do seu património e do seu salário, que ronda os 12 mil reais por mês (2.600 euros mensais).