Alexya Salvador tornou-se a primeira pastora transgénero do Brasil, em 2019. O caminho para chegar onde está não foi de todo fácil, mas hoje consegue usar a sua vocação para ajudar jovens da comunidade LGBTQ+ que estão desesperados e que planeiam até se suicidar.

Todos temos falhas, ser trans não é uma delas", afirma.

Alexya percebeu que era uma mulher transgénero aos 20 anos, mas, por causa do seu pai mais conservador, inicialmente, só se assumiu como homossexual. Apenas ao 28 anos, decidiu, finalmente, começar o seu processo de mudança de sexo.

No Brasil, a brutalidade contra a comunidade LGBTQ+ ainda está bastante presente e a Igreja não é considerada um espaço seguro para os que tem uma orientação sexual diferente do "padrão".

Apesar de tudo, tinha, desde muito jovem, a vontade de entrar para o sacerdócio. Aos 19 anos, quando ainda era um rapaz, ingressou no seminário com o objetivo de se tornar padre, mas quatro anos depois, acabou por desistir.

Dentro da igreja, sofreu violência psicológica e até espiritual.

Disse a mim mesma: 'Já não sou católica, já não quero servir a fé cristã porque é uma fé que me oprime. Cortei os laços com a instituição, com a igreja, mas nunca com a minha fé em Deus, em Jesus", afirmou Alexya Salvador ao jornal The Guardian.

Um ano e meio depois, a pesquisa por uma igreja que consentisse o casamento entre uma mulher transgénero e um homem, levou-a a Igreja da Comunidade Metropolitana (MCC), na cidade de São Paulo, no Brasil, onde se casou com o seu atual marido. Nesta igreja, Alexya sentiu-se amada e aceite.

O pânico que vivia na minha cabeça até descobrir a MCC era que eu iria para o inferno, que fui um erro de Deus" , expressou.

Mais tarde, em 2019, Alexya foi convidada para ser pastora na MCC, convite que não foi capaz de recusar.

Como pastora, tem recebido, frequentemente, telefonemas de jovens da comunidade LGBTQ+, que estão desesperados e que até planeiam suicidar-se.

Sinto a dor deles no meu corpo porque passei por isso", desabafou.

Para além de ser a primeira mulher transgénero do Brasil, também foi a primeira trans a conseguir adotar um filho.

Atualmente, Alexya Salvador tem um filho e duas filhas transgénero.

De acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (Antra), 175 pessoas transgénero foram mortas, no ano passado, no Brasil, todas eram mulheres e a maioria era negra e sem condições económicas.

Redação / IC