O espanhol Miguel Hurtado, que denunciou alegados abusos de um monge do Mosteiro de Montserrat em Barcelona, pediu hoje ao Vaticano para ter "tolerância zero" com a pedofilia e implementar medidas concretas para acabar com a "pandemia".

O importante neste encontro é que o Vaticano esclareça o que significa ‘tolerância zero’, conceito que o papa Francisco repete repetidamente", disse o espanhol em declarações aos jornalistas, poucos dias antes do Vaticano celebrar uma cimeira sem precedentes sobre o abuso sexual de menores na Igreja, que reunirá de 21 a 24 de fevereiro representantes das conferências episcopais de todo o mundo, grupos de vítimas e superiores gerais das congregações.

Hurtado será uma das 12 vítimas que se reunirá na quarta-feira com a comissão organizadora da reunião sobre os abusos, que hoje apresentou o programa à imprensa.

Na maioria dos países avançados, 'tolerância zero' significa que se um padre abusou de uma criança deixa o sacerdócio, mas isso só se aplica na Irlanda e nos Estados Unidos porque em Espanha há padres condenados pela justiça que continuam a fazer parte da Igreja", lamentou Hurtado.

Na sua opinião, os bispos espanhóis "trabalham para que o ‘iceberg’ da pedofilia clerical não apareça" e, portanto, pediu "transparência, com números e nomes".

A Igreja espanhola sabe perfeitamente quem são os padres pedófilos, mas não dão os nomes, onde se encontram, de quantas crianças abusaram e que crimes cometeram", reclamou.

Portanto, Miguel Hurtado pede "medidas concretas" para acabar com a "pandemia global" que é a pedofilia na Igreja.

Nós não queremos reuniões genéricas onde dizem que estão arrependidos. Queremos que todos os casos de abuso de crianças sejam relatados à polícia, que a hierarquia católica entregue arquivos canónicos internos às autoridades civis, e que todos aqueles que tenham ocultado abusos, tal como abade de Montserrat, renunciem imediatamente ou sejam demitidos", exigiu o espanhol.

Além disso Miguel Hurtado defende que a Igreja deve pagar uma compensação às vítimas para que elas possam ter terapia.

Embora tenha descrito a cimeira como "positiva", considera que "se o papa Francisco quisesse acabar com o problema esta teria de ser de três semanas.

Eles têm duas opções: agir proativamente antes que outros escândalos surjam, tomar ações decisivas ou esperar o escândalo explodir nos seus rostos”, disse, acrescentando que “os bispos não têm muita coragem”.