Uma diocese católica de Iowa pediu desculpas na terça-feira por encobrir o abuso sexual de crianças por um padre daquele estado norte-americano durante décadas e prometeu identificar todos os sacerdotes que enfrentem acusações credíveis.

O pedido de desculpas da Diocese de Sioux City surge na sequência de uma investigação da agência de notícias Associated Press (AP) que, na semana passada, quebrou o silêncio de 32 anos da Igreja sobre a série de abusos cometidos pelo reverendo Jerome Coyle.

A diocese adiantou que mais revelações sobre desvios de conduta podem surgir e instou todas as vítimas a manifestarem-se, prometendo usar os seus relatórios e outros arquivos para criar e publicar uma lista de padres acusados, desde que a informação seja credível.

Coyle admitiu ao então bispo Lawrence Soens, em 1986, ter abusado sexualmente de 50 crianças durante um período de 20 anos.

A diocese admitiu que deveria ter notificado as paróquias e pedido às vítimas informações sobre estes casos, aproveitando para pedir desculpas pelo facto dos antigos líderes católicos não o terem feito. Em vez disso, a diocese enviou Coyle para um centro de tratamento no Novo México para padres acusados de abusos sexuais, onde ele viveu e trabalhou como 'civil' durante décadas.

Em comunicado, a diocese também admitiu que a sua atual liderança deveria ter notificado o público este verão, quando Coyle foi colocado numa casa de repouso perto de uma escola católica, da qual ele saiu na semana passada após a divulgação da notícia pela AP.

A mesma entidade indicou que outros padres acusados foram enviados para tratamento, em vez de investigados pela polícia: "sabemos agora que essa não é a maneira de lidar com qualquer alegação de má conduta sexual".

O antigo bispo Soens tem agora 92 anos e mora em uma casa de repouso católica em Sioux City. Depois de se aposentar em 1998, foi acusado de abusar de crianças quando era padre e diretor na década de 1960 na Cidade de Iowa, e a Diocese de Davenport pagou indemnizações às alegadas vítimas. Segundo a diocese, Soens não enfrentou nenhuma acusação de má conduta decorrente de seu mandato em Sioux City.

Quanto a Coyle, a diocese continua a pagar sua pensão porque tem direito a esses benefícios por lei, pode ler-se no comunicado.