No Pantanal, que enfrenta o pior período de incêndios das últimas décadas, os animais lutam para sobreviver. Diante da vegetação consumida pelas chamas e com a pior seca da história, muitas espécies têm dificuldades para encontrar alimentos e água.

Situado na região centro-oeste do Brasil, numa área a sul da Amazónia, o Pantanal é uma planície que tem 80% da área inundada na estação chuvosa e é considerado um santuário onde ainda se encontra preservada uma fauna extremamente rica, que inclui animais como a onça-pintada e a arara azul.

Um dos membros da organização Panthera, Fernando Tortato, explicou à BBC que, em anos anteriores, as onças conseguiam fugir para outras localidades, como propriedades rurais próximas. No entanto, atualmente, é difícil que os animais encontrem uma região segura no Pantanal, onde não haja risco de serem atingidos pelo fogo.

Muitas espécies vão ser afetadas. No caso das onças-pintadas, os jacarés e as capivaras (que servem de alimento) podem não sentir tantas consequências do fogo porque são espécies aquáticas. Neste caso, talvez as onças tenham alimentos. Mas os animais herbívoros, por exemplo, vão ter que andar quilómetros e quilómetros no Pantanal até encontrar algo para se alimentar", contou Fernando.

Também as araras-azuis sofreram um grave declínio por causa dos incêndios do Pantanal. Só a Fazenda São Francisco do Perigara, no Pantanal mato-grossense, por exemplo, teve mais de 90% dos quase 25 mil hectares atingidos pelo fogo. Esta propriedade rural é considerada o local com a maior concentração da espécie para dormitório no país. Antes dos incêndios, abrigava cerca de 700 araras nas árvores. 

Só em 2020, a área queimada supera em dez vezes a área de vegetação natural perdida em 18 anos. E, de acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a região já regista, este ano, o maior número de focos de incêndio da história.

Estes dados traduzem-se em cerca de 23 mil quilómetros quadrados consumidos pelas chamas.

Carla Sassi, veterinária que atua no Grupo de Resgate de Animais em Desastres, contou à DW Brasil que os animais que sobreviveram ao fogo deambulam desorientados em busca de água e comida.

Mesmo os que são encontrados vivos e aparentemente saudáveis já começam a emagrecer devido à escassez de alimento. Não dá para imaginar, nem para contabilizar quantos morreram e quantos ainda vão morrer neste período", disse Sassi.

Rafaela Laja