Um novo incêndio deflagrou esta sexta-feira junto a mais um superlotado campo de refugiados rohingyas no sudeste do Bangladesh provocando pelo menos três mortos, avança a agência de notícias Efe.

O incêndio começou de madrugada num mercado perto do campo de Kutupalong, em Cox´s Bazar, onde vivem mais de 600 mil rohingyas que fugiram da Birmânia, depois da onda de violência desencadeada pelo exército birmanês em agosto de 2017 contra esta minoria.

O incêndio destruiu sete lojas no mercado. Encontrámos três corpos lá dentro. Provavelmente eram funcionários das lojas”, disse o vice-diretor do Serviço de Defesa Civil e Bombeiros de Cox's Bazar, Md Abdullah, em declarações à agência de notícias espanhola Efe.

Segundo o mesmo responsável, os bombeiros conseguiram controlar o fogo rapidamente, evitando que se alastrasse.

O responsável da Polícia de Ukhiya em Cox's Bazar, Ahmed Sanjur Morshed, confirmou à Efe que as três vítimas eram todos refugiados.

Nos últimos meses têm ocorrido vários incêndios que atingem os campos de refugiados rohingya: só na semana passada, um fogo matou 15 rohingyas, afetou cerca de 45.000 refugiados ao destruir cerca de 10 mil abrigos, segundo um levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU), que acrescentou que o incêndio afetou também escolas, centros de saúde e outras instalações.

Os centros de refugiados são locais vulneráveis pela falta de instalações, pela sua superlotação e pelas frágeis construções – abrigos de madeira, bambu e plástico - que cobrem a área.

Em meados de janeiro, um outro incêndio deixou cerca de 3.500 rohingyas desabrigados depois que as chamas terem reduzido a cinzas mais de meio milhar de abrigos.

Esses incêndios acontecem ao mesmo tempo que as autoridades do Bangladesh tentam levar a cabo o polémico realojamento de cerca de cem mil rohingyas na remota ilha de Bhasan Char, com o objetivo de descongestionar os campos.

Desde agosto de 2007, cerca de 738 mil rohingyas chegaram aos acampamentos no Bangladesh depois da campanha de perseguição do exército birmanês.

/ JGR