Um bebé de quatro meses morreu de exposição ao frio, na Índia, depois da mãe o ter levado para os protestos contra a nova lei de cidadania.

Nazia, a mãe de 24 anos, fazia parte de uma manifestação pacífica que ocupou uma estrada em Nova Deli.

Os protestos prolongam-se dia e noite há mais de 50 dias, apesar das temperaturas frias que se fazem sentir no bairro de Shaheen Bagh.

De acordo com um membro da organização do protesto, que prestou declarações à BBC, Mohammed Jahaan morreu depois de acompanhar a mãe ao "sit-in", protesto que passa por os manifestantes ocuparem a estrada sentando-se, e onde muitas mulheres muçulmanas estão também a fazer greve de fome.

O pai do menino, Mohammed Arif, contou que quando a mulher regressou a casa, pelas 22:00, Jahaan "parecia ter febre".

O bebé acordou a chorar durante a noite e o casal decidiu levá-lo ao médico no dia a seguir. Na manhã seguinte, os pais encontraram Jahaan inanimado, tendo o óbito sido declarado na chegada ao hospital.

Em declarações ao Indian Express, Nazia culpou as medidas do governo, que provocaram protestos em todo o país, pela morte do seu filho.

“Eu levei-o ao protesto para lutar pelo futuro. Ele era apenas uma testemunha na luta ”, disse a mãe.

A controversa lei de cidadania, aprovada pelo parlamento indiano em dezembro, está a tornar-se num pesadelo para o governo do primeiro-ministro Narendra Modi, com milhares de pessoas em protesto nas ruas e nas universidades. 

Esta emenda na constituição indiana permite aos imigrantes sem documentos de seis minorias não-muçulmanas do Paquistão, Bangladesh e Afeganistão poderem naturalizar-se, por serem perseguidos nos países de origem. De fora ficam, por exemplo, ahmadis e rohingyas.

/ RL