É uma megaoperação de busca, com centenas de operacionais espalhados por um vasto território. Há mais de 100 guardas florestais, funcionários do governo, atiradores de elite e outos peritos envolvidos. O alvo é uma fêmea tigre, que já matou várias pessoas e que tem conseguido fintar os especialistas. O local é a Índia, país onde, em apenas três anos, 92 pessoas morreram em ataques de tigres. 

A fêmea, designada de T1, tem circulado perto da cidade de Pandharkawada, no estado indiano de Maharashtra, e já terá matado 13 pessoas, segundo a imprensa local.

O governo já deu ordem para que todos os esforços sejam reunidos nesta megaoperação, montada numa área de cerca de 160 quilómetros quadrados. Primeiro, o animal deve ser capturado e tranquilizado, mas, se isso não funcionar, os agentes têm autorização para matar.

Mas o tigre continua a fugir às muitas armadilhas humanas e  os moradores estão impacientes quanto aos desenvolvimentos desta megaoperação. As características do local têm dificultado o trabalho dos operacionais.

A região tem colinas, desfiladeiros, vegetação muito densa. Os muitos arbustos e a cobertura florestal estão a dar a proteção ideal ao tigre. Há muitos lugares aos quais só conseguimos chegar a pé. É por isso que a operação está a demorar", explicou diz KM Aparna, diretor do setor florestal na região de Padharkawada, à BBC.

Os guardas até chegaram a usar elefantes para entrar nas zonas de florestação mais densas, mas, depois de um destes animais ter pisado mortalmente uma mulher, todos os elefantes acabaram retirados da operação.

Além de um sentimento de impaciência, o caso está a gerar um grande debate na Índia, com ativistas, defensores dos animais e até algumas figuras públicas, como políticos e atores, a apelarem para que a fêmea não seja abatida. Protestos têm também decorrido na região de Maharashtra, alegando que não há provas suficientes de que o animal tenha matado os aldeões.

A população de tigres na Índia chegou a estar em declínio durante vários anos, mas voltou a aumentar consideravalemnte a parir de 2006. Cerca de 60% dos tigres do mundo estão neste país. Mas muitos destes animais vivem fora dos parques e santuários delimitados.

Dados do Ministério do Meio Ambiente da Índia, citados pela BBC, indicam que 1.444 pessoas morreram entre abril de 2014 e maio de 2017 por causa de tigres e elefantes. Os tigres mataram 92 pessoas.