Uma tribo indígena acusa mineiros de terem matado o líder depois de terem invadido a sua aldeia na Amazónia, Brasil. A Polícia Federal abriu uma investigação, já que no local exploração de minério é proibida. 

Um grupo de cerca de 15 indivíduos terá invadido a pequena aldeia do estado do Amapá, no norte do Brasil. Na sequência do ataque, os locais fugiram para junto de outras tribos, temendo as ações dos mineiros - conhecidos como garimpeiros, que procuram ouro e diamantes - e que estavam “na posse de armas de fogo de grosso calibre”, segundo informa a Fundação Nacional do Índio (Funai).

[Os indígenas] estão concentrados na aldeia Mariry, aproximadamente a 40 minutos a pé da Yvytotõ, inclusive com indígenas de outras aldeias aderindo à movimentação. Em relação ao número de não-índios, estima-se entre 10 a 15 pessoas, que estão na posse de armas de fogo de grosso calibre”, relataram ativistas da Funai em carta enviada à associação, e que foi publicada pela Folha de São Paulo.

A população atacada foi aconselhada a fugir, de forma a evitar um conflito após a morte do líder, que terá sido esfaqueado. Além das autoridades federais, também a BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) está no terreno.

O Conselho das Aldeias Wajãpi (Apina) não hesita em atribuir a autoria do homicídio aos garimpeiros: “Parentes examinaram o local e encontraram rastos e outros sinais de que a morte foi causada por pessoas não-indígenas”.

O mesmo comunicado do Apina refere ameaças aos locais, que tiveram de deixar a zona. A morte do líder indígena terá acontecido a 22 de julho, mas as autoridades só chegaram ao local a 28 de julho.

A exploração mineira é ilegal naquela zona do Brasil, mas isso não tem impedido um constante avanço sobre as áreas da Amazónia. Já no fim da semana passada, Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, afirmou que o Governo iria propor um projeto para legalizar a exploração mineira no estado do Pará e os índios temem que a legalização se possa alargar.

Vamos entrar com um projeto para legalizar [a exploração de minério]. O Governo vai entrar. O mineiro é um cidadão, merece respeito e consideração”, afirmou Jair Bolsonaro aos meios de comunicação brasileiros.

Já depois de saber da invasão da aldeia do Amapá, o senador Randolfe Rodrigues, eleito por aquele estado, foi perentório: “O Governo federal incentiva a exploração mineira em terras indígenas”.

O presidente tem dito que existe muita terra para pouco índio e, recentemente, disse que enviaria o seu filho para ser embaixador nos Estados Unidos, para articular a ação de mineradoras em terras indígenas", atirou o senador.

O presidente do Senado do Brasil também já reagiu. Davi Alcolumbre, igualmente representante do Amapá, diz que “os esforços devem ser concentrados em garantir a segurança e o direito dos povos indígenas, que sempre viveram nessa região, direito garantido constitucionalmente".