Uma infeção sexualmente transmissível que ainda é pouco conhecida pode transformar-se numa superbactéria resistente a tratamentos com antibióticos mais comuns. A situação já está a gerar uma grande preocupação entre a comunidade médica, avança a BBC.

A Mycoplasma genitalium (MG) pode ser transmitida através da prática de relações sexuais com parceiros infetados e nem sempre apresenta sintomas, podendo mesmo ser confundida com a Clamídia, outra doença sexualmente transmissível.

Nos homens, causa uma infeção da uretra, secreção através do pénis e dor no ato de urinar. Nas mulheres pode inflamar os órgãos reprodutivos, o útero e as trompas de falópio, provocando dor, febre, hemorragias e, em última instância, infertilidade.

Esta DST gerou preocupação entre os médicos no Reino Unido, que já começaram a trabalhar com novas diretrizes para evitar que surja uma situação de emergência de saúde pública. O esforço orienta-se agora em dois ângulos: por um lado, identificar e tratar a bactéria de forma mais eficaz e, por outro, trabalhar na prevenção, estimulando o uso de preservativo.

A Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV (BASHH, da sigla em inglês) afirma que as taxas de erradicação da bactéria após o tratamento com um grupo de antibióticos chamados macrolídeos estão a diminuir. A resistência aos medicamentos está estimada nos 40 por cento.

60% das infeções permanecem sensíveis a macrolídeos como a azitromicina”, revela o médico Paddy Horner, da Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV e responsável por desenvolver as diretrizes relacionadas à doença.

Já existem testes para detetar a bactéria, mas ainda não estão disponíveis em todas as clínicas do Reino Unido. Os médicos podem enviar amostras para o laboratório da Public Health England, agência executiva do Departamento de Saúde e Assistência Social, para obter um diagnóstico.

Por enquanto, não há uma estimativa de quantas pessoas estão infetadas com a bactéria, pois ainda não é obrigatório que as secretarias de saúde denunciem os casos.