Há uma segunda cidade chinesa isolada por causa da pneumonia viral, que já matou 17 pessoas.

Depois de Wuhan, onde teve origem o surto, também a vizinha Huanggan, com 7,5 milhões de habitantes, e a cerca de 70 quilómetros de distância, está sob vigilância apertada, nomeadamente através da suspensão dos transportes públicos, encerramento de cafés, cinemas e do mercado central de modo a comter a propagação do coronavírus.

Numa terceira cidade, Ezhou, com pouco mais de um milhão de residentes, foi apenas suspensa a circulação ferroviária.

O governo chinês já tinha anunciado a suspensão de todos os voos e viagens de comboio de e para Wuhan, onde o vírus foi inicialmente reportado, no mês passado.

 Também a Cidade Proibida de Pequim, classificada como Património Mundial desde 1987, foi encerrada pelas autoridades chinesas devido à epidemia.

Segundo um comunicado do museu citado pela AFP, o antigo palácio imperial vai fechar as suas portas a partir de sábado com o objetivo de “evitar os contágios ligados aos agrupamentos de visitantes”.

O Palácio Imperial das Dinastias Ming e Qing em Pequim, conhecido por Cidade Proibida, foi construído entre 1406 e 1420 pelo imperador Zhu Di, tendo sido visitado por 19 milhões de pessoas em 2019.

Mais de 500 infetados

Há pelo menos 571 pessoas infetadas só no território continental chinês e foram já detetados casos em Macau, Tailândia, Taiwan, Hong Kong, Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos.

As autoridades de saúde da China aumentaram para 571 o número de pessoas infetadas com o novo tipo de coronavírus, informou esta quinta-feira a agência de notícias estatal Xinhua.

A Comissão Nacional de Saúde da China disse que, até à meia-noite da quarta-feira, tinha contabilizado 571 casos confirmados em 25 províncias e regiões do país.

Na quarta-feira, as autoridades tinham registado 131 novos casos.

Até ao momento, os serviços de saúde chineses acompanham 5.897 pessoas que mantiveram contato próximo com pacientes infectados e, dessas, 4.928 estão em observação.

De acordo com a Comissão Nacional de Saúde da China, o período de incubação do vírus pode estender-se até 14 dias.

A Comissão Nacional de Saúde da China tinha já alertado que este novo tipo de coronavírus, uma espécie de vírus que causa infeções respiratórias em seres humanos e animais, "pode sofrer mutações e espalhar-se mais facilmente".

Fora da China continental, foram confirmados casos da doença em Macau, Hong Kong, Taiwan, Coreia do Sul, Japão, Tailândia e Estados Unidos.

Os primeiros casos do vírus “2019 – nCoV” apareceram em meados de dezembro na cidade chinesa de Wuhan, capital da provincia central de Hubei, quando começaram a chegar aos hospitais pessoas com uma pneumonia viral.

Em todos os casos, os doentes trabalhavam ou visitavam com frequência o mercado de marisco e carnes de Wuhan. As autoridades desconhecem ainda a origem exata da infeção, mas vários indícios apontam para animais infetados, que são comercializados vivos, a transmitir a doença aos seres humanos.

Os sintomas destes coronavírus são mais intensos do que uma gripe e incluem febre, dor, mal-estar geral e dificuldades respiratórias, incluindo falta de ar.

O surto surge numa altura em que milhões de chineses viajam, por ocasião do Ano Novo Lunar, a principal festa das famílias chinesas, equivalente ao natal nos países ocidentais. Segundo o Ministério dos Transportes chinês, o país deve registar um total de três mil milhões de viagens internas durante os próximos 40 dias.

Os casos alimentaram receios sobre uma potencial epidemia, semelhante à da pneumonia atípica, ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que entre 2002 e 2003 matou 650 pessoas na China continental e em Hong Kong.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) decidiu na quarta-feira prolongar até hoje a reunião do Comité de Emergência para decidir se declara emergência de saúde pública internacional o surto de um novo coronavírus na China.